Canetas emagrecedoras em crianças? Pediatras fazem alerta sobre riscos
Sociedade Brasileira de Pediatria chama atenção para uso inadequado de medicamentos para perda de peso entre crianças e adolescentes e reforça necessidade de indicação e acompanhamento médico
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras acendeu um alerta entre os pediatras. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) chama atenção para os riscos do uso inadequado desses medicamentos por crianças e adolescentes, principalmente quando utilizados sem indicação precisa ou acompanhamento médico.
O alerta ocorre em meio à crescente procura por medicamentos usados no tratamento da obesidade e do diabetes, como os agonistas do receptor de GLP-1. Entre eles estão substâncias que ganharam grande visibilidade nos últimos anos por promoverem perda de peso.
Segundo especialistas, entretanto, o tratamento da obesidade durante a infância e adolescência possui particularidades e não deve seguir simplesmente os mesmos parâmetros adotados para adultos. A SBP ressalta que medicamentos podem fazer parte do tratamento em determinadas situações, mas a indicação depende de fatores como idade, condição clínica, grau da obesidade e presença de doenças associadas.
Canetas podem ser usadas por menores?
A resposta depende do medicamento, da idade e da situação clínica. Alguns fármacos possuem aprovação para determinadas faixas etárias na população pediátrica. Isso, porém, não significa que qualquer criança ou adolescente acima do peso possa utilizar uma caneta emagrecedora. A prescrição deve ser feita após avaliação médica individualizada e integrada a outras estratégias de tratamento.
Entre os medicamentos citados pela SBP estão a liraglutida e a semaglutida, que atuam sobre o receptor de GLP-1, além da tirzepatida, que possui ação sobre GIP e GLP-1. Cada substância possui indicações, limites de idade e condições específicas de uso. Por isso, pais e responsáveis não devem administrar medicamentos aos filhos com base em experiências de adultos, recomendações encontradas nas redes sociais ou resultados obtidos por outras pessoas.
Tratamento vai muito além da balança
A obesidade pediátrica é uma condição complexa e seu tratamento não deve ter como único objetivo a redução rápida do peso. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda uma abordagem individualizada e multidisciplinar, que considere alimentação, atividade física, qualidade do sono, saúde emocional e o ambiente familiar.
Quando a medicação é indicada, ela deve fazer parte desse conjunto de medidas. O acompanhamento também é necessário para avaliar a resposta ao tratamento e possíveis efeitos adversos.
A preocupação dos pediatras aumenta diante da utilização desses medicamentos com finalidade exclusivamente estética ou sem avaliação adequada, principalmente em uma fase da vida marcada pelo crescimento e desenvolvimento do organismo.
A orientação é que famílias que estejam preocupadas com o peso de crianças ou adolescentes procurem acompanhamento pediátrico. A avaliação profissional permite identificar se existe obesidade, possíveis doenças associadas e qual estratégia de tratamento é adequada para cada paciente.
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