sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Momento Político

Filippelli defende protagonismo do MDB e declara apoio à reeleição de Celina no DF

Ex-deputado e ex-vice-governador afirma que partido recuperou espaço na política brasiliense, projeta duas cadeiras na Câmara dos Deputados e avalia que Celina tem condições de avançar na disputa pelo Palácio do Buriti

Bruno Goulartpor em
Tadeu Filippelli
“A gente tinha a convicção de que a qualidade do governo (Celina) seria fundamental para esse avanço (nas pesquisas).” Foto: O HOJE

Bruno Goulart

O ex-deputado federal e ex-vice-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli (MDB) voltou a defender o protagonismo do partido na política de Brasília e afirmou que a legenda chega às eleições deste ano com condições de ampliar sua representação no Congresso e na Câmara Legislativa. Ao programa Momento Político, de O HOJE, conduzida pelo jornalista Wilson Silvestre, em Brasília, Filippelli também analisou a sucessão no Palácio do Buriti, falou sobre a trajetória do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e declarou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP).

Com quatro mandatos como deputado federal e passagem pela vice-governadoria do Distrito Federal entre 2011 e 2014, durante a gestão de Agnelo Queiroz (PT), Filippelli é uma das figuras históricas do MDB brasiliense. A entrevista começou justamente com uma avaliação sobre o espaço ocupado pelo partido ao longo das últimas décadas. Ao ser questionado sobre a perda de protagonismo do MDB depois da saída de Joaquim Roriz do centro da política local, o ex-vice-governador apresentou uma interpretação diferente. Para Filippelli, apesar das divisões internas e do surgimento de novas legendas, o MDB nunca deixou de exercer influência na política do Distrito Federal.

 

Segundo o ex-deputado, a história do MDB precisa ser analisada levando em consideração as características próprias de Brasília. A capital federal não possui municípios, prefeitos ou vereadores. A estrutura política local é formada pelo governador, vice-governador, senadores, deputados federais e deputados distritais. Essa configuração, segundo Filippelli, fez com que a atuação partidária na capital tivesse características diferentes das observadas em outros Estados.

Na avaliação de Filippelli, a característica mais marcante da legenda é justamente a capacidade de reunir diferentes correntes políticas. O ex-deputado afirmou que o MDB possui uma estrutura nacional, mas cada diretório regional apresenta suas próprias características e prioridades. Ao longo dos anos, essa diversidade provocou divisões e mudanças de posicionamento, mas também permitiu ao partido manter presença em diferentes regiões do país. “O MDB, desde o início da representação política em Brasília, sempre foi um partido importante”, afirmou.

O ex-vice-governador também destacou a influência de Joaquim Roriz na história política do Distrito Federal. Segundo Filippelli, Roriz chegou a construir uma liderança pessoal que, em determinados momentos, era maior do que a própria estrutura partidária. Ainda assim, o MDB conseguiu permanecer no cenário político mesmo depois da saída de Roriz e da criação ou fortalecimento de outras legendas. Filippelli citou o surgimento de partidos como PT e PSDB e lembrou que parte da classe política que passou a atuar nessas siglas teve origem nas disputas e nos movimentos internos do antigo PMDB.

Deputados

Tadeu Filippelli
“A gente tinha a convicção de que a qualidade do governo [Celina] seria fundamental para esse avanço [nas pesquisas]”. Foto: O HOJE
A reconstrução da força eleitoral do MDB também foi destacada pelo ex-deputado. Filippelli afirmou que a legenda conseguiu voltar a ter representação na Câmara dos Deputados em eleições sucessivas e manteve participação nas disputas majoritárias do Distrito Federal. Na prática, o partido passou a ocupar novamente espaços nas chapas para governador, vice-governador e senador, além de preservar uma bancada na Câmara Legislativa.

Para a eleição deste ano, a meta é ampliar a representação federal. Questionado se o MDB teria condições de eleger dois ou três deputados federais, Filippelli considerou que três cadeiras seriam uma tarefa muito difícil, embora o partido já tenha alcançado esse número no passado. Para ele, a eleição de dois deputados federais é uma possibilidade concreta diante da composição da chapa.

O partido conta com nove candidatos à Câmara Federal para uma disputa que envolve oito vagas destinadas ao Distrito Federal. Filippelli chamou atenção para as mudanças nas regras eleitorais e para o fim das coligações proporcionais, que, segundo ele, aumentaram a dificuldade para os partidos conquistarem cadeiras. Agora, as legendas precisam organizar chapas competitivas e alcançar os critérios necessários para participar da distribuição das vagas.

“Nós faremos o segundo na recontagem”, disse Filippelli ao explicar sua expectativa de que o MDB consiga chegar a duas cadeiras. O ex-vice-governador também avaliou a situação da legenda na Câmara Legislativa. Atualmente, o MDB possui cinco deputados distritais, mas apenas três foram eleitos originalmente pela sigla na última eleição. Outros dois parlamentares migraram posteriormente para o partido. Filippelli considera possível manter os quatro nomes na Casa.

Disputa pelo GDF

Na disputa pelo governo do Distrito Federal (GDF), Filippelli também avaliou o peso político do ex-governador José Roberto Arruda. O ex-deputado reconheceu a experiência acumulada por Arruda e sua capacidade de mobilização eleitoral. Para Filippelli, o ex-governador possui uma trajetória que não pode ser ignorada na formação do cenário eleitoral.

“Ele tem um patrimônio eleitoral muito grande. Agora, tudo tem seu momento”, afirmou, considerando que a atual configuração política do Distrito Federal é diferente daquela existente quando o ex-governador esteve no comando do Buriti.

Celina

Nesse cenário, o ex-vice-governador declarou apoio à governadora Celina Leão. Filippelli afirmou que sua decisão não ocorre por obrigação partidária, mas por uma avaliação pessoal sobre o cenário político e administrativo do Distrito Federal. Celina assumiu o governo após a saída de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar uma vaga no Senado.

O apoio de Filippelli também leva em consideração o fato de Celina ser a primeira mulher a comandar o Governo do Distrito Federal em uma sucessão que poderá colocá-la na disputa por um mandato próprio. Para o ex-vice-governador, esse aspecto possui importância política em um momento em que a participação feminina nas estruturas de poder está no centro do debate.

“Eu tenho plena consciência política que o melhor para o Distrito Federal é a governadora Celina”, declarou Filippelli. Na avaliação dele, a governadora conseguiu aproveitar os meses à frente do Executivo para construir uma imagem própria e apresentar resultados administrativos.

Confira a entrevista na íntegra:

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Distrito Federal MDB Tadeu Filippelli

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