Contratos milionários na Saúde de Goiás entram na mira da PF; investigação aguarda perícia
Apuração envolve empresas contratadas por hospitais estaduais e suspeitas investigadas pela Polícia Federal; ninguém foi indiciado até o momento, segundo a PF
Pelo menos três hospitais do governo de Goiás administrados pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) estão encerrando contratos com empresas que, conforme revelou o Metrópoles, tinham ligações com intermediários apontados pela polícia como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os mesmos hospitais passaram a contratar ao menos uma empresa ligada a uma médica que é investigada pela Justiça.
Segundo a reportagem do Metrópoles, a empresa Fabermed FMC Soluções em Saúde, que tem entre as sócias a médica Gleycianne França, venceu contratos para fornecer médicos aos hospitais de Formosa, Uruaçu e Trindade. Os contratos somam R$ 8,9 milhões por mês. Em um dos processos, a proposta apresentada pela empresa ficou R$ 770 abaixo da segunda colocada, enquanto outras quatro concorrentes foram desclassificadas.
A médica responde a um inquérito no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) ao lado do deputado federal e ex-secretário estadual de Saúde Ismael Alexandrino (PSD-GO). De acordo com o Metrópoles, a investigação teve origem em uma reportagem publicada pelo veículo em 2022 e posteriormente resultou na abertura de inquérito pela Polícia Civil e em uma operação de busca e apreensão, em 2023. Atualmente, o caso tramita na Polícia Federal e na Justiça Federal. Gleycianne nega as suspeitas e afirma que não participou de qualquer simulação de concorrência. A defesa de Alexandrino também nega irregularidades.
O que a Polícia Federal informou ao O Hoje
Diante das informações divulgadas pelo Metrópoles, o O Hoje procurou a Polícia Federal para apurar a situação atual da investigação. Segundo a informação repassada pela corporação, o inquérito chegou à PF após declínio de competência da Polícia Civil. A investigação permanece em andamento e, neste momento, aguarda análise e perícia do material apreendido.
A PF informou ainda que ninguém foi indiciado até o momento. Segundo a corporação, o procedimento está sob sigilo, razão pela qual não foram fornecidos outros detalhes sobre as diligências ou sobre o conteúdo do material que está sendo analisado.
Polícia Civil não respondeu aos questionamentos
Com a informação de que o procedimento chegou à esfera federal após o declínio de competência da Polícia Civil, a reportagem também procurou a Polícia Civil de Goiás para confirmar a existência do inquérito na corporação, esclarecer a tramitação do procedimento e entender os motivos que levaram ao encaminhamento do caso à Polícia Federal.
A assessoria da Polícia Civil chegou a informar que o assunto seria tratado pela corporação, mas não respondeu aos questionamentos enviados pelo O Hoje até o fechamento desta matéria. A reportagem também buscou informações adicionais junto à Polícia Federal, mas, em razão do sigilo do inquérito, a corporação se limitou a confirmar que não houve indiciamentos e que o procedimento aguarda análise e perícia do material apreendido.
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