Goiás é 5º no país em contratações de jovens aprendizes, mas desemprego entre jovens segue acima da média
Mercado de trabalho melhora para brasileiros de 18 a 29 anos, mas informalidade, menor renda e avanço da inteligência artificial ainda impõem desafios
O mercado de trabalho brasileiro para pessoas de 18 a 29 anos apresenta melhora nos indicadores de emprego, mas ainda registra taxas de desocupação superiores às observadas entre adultos, além de menor rendimento e maior informalidade. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego entre jovens foi de 9,2%, contra 3,8% entre pessoas de 30 a 59 anos. Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial (IA) e da automação começa a atingir ocupações de entrada, tradicionalmente utilizadas como porta de acesso ao mercado profissional.
Os dados integram levantamento dos pesquisadores Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), além de informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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A taxa de 9,2% entre jovens de 18 a 29 anos no segundo trimestre de 2026 representa o segundo menor patamar da série histórica iniciada em 2012, atrás apenas dos 8,8% registrados no último trimestre de 2025. O índice, porém, permaneceu mais que duas vezes superior ao registrado entre pessoas de 30 a 59 anos, de 3,8%, e acima da média nacional, de 5,4%.
Segundo o MTE, a taxa entre pessoas de 18 a 24 anos chegou a 13,8%, mais que o dobro da média nacional geral de 5,8%. Dados do IBGE de 2025 apontam desocupação de 11,4% nessa faixa etária e de 19,9% entre adolescentes de 14 a 17 anos. No mesmo período, a taxa média nacional era de 5,1%. Quase 20% da população brasileira de 14 a 24 anos também não estudava nem trabalhava.
A diferença entre jovens e adultos é considerada histórica no mercado de trabalho. O economista Luiz Carlos Ongaratto pontua que a distância é proporcionalmente maior no Brasil do que em diversas nações desenvolvidas. Segundo Ongaratto, o país enfrenta dificuldades para estruturar a transição entre a vida escolar e a inserção profissional.
Um dos reflexos é a menor presença de jovens em setores como a indústria, que exigem maior tempo de formação e qualificação técnica. As taxas de rotatividade mais elevadas também podem representar um desincentivo à contratação, devido ao custo dos investimentos em treinamento.
No segundo trimestre de 2026, 37,4% dos trabalhadores de 18 a 29 anos ocupados estavam sem carteira assinada ou sem registro de CNPJ, incluindo serviços informais e os chamados “bicos”. O percentual foi igual à média nacional e superior aos 34,8% registrados entre trabalhadores de 30 a 59 anos. O rendimento médio dos jovens também foi cerca de 38% inferior ao recebido por adultos.
Entre as atividades que mais concentram trabalhadores jovens estão balconistas e vendedores de lojas, com 1,7 milhão de pessoas, ou 6,6% do total de ocupados nessa faixa etária; escriturários gerais, com 1,5 milhão, ou 6,1%; e trabalhadores elementares da construção de edifícios, com 617,8 mil, equivalentes a 2,5%.
A expansão da IA acrescenta novas transformações. Estudo do pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, aponta redução de postos de trabalho de entrada no mercado brasileiro. Paulo Peruchetti avalia que a dificuldade de adaptação às novas ferramentas pode ampliar as barreiras para jovens sem experiência. O professor Ely José de Mattos também observa substituição de funções técnicas de nível júnior por sistemas de IA em áreas como Tecnologia da Informação (TI). Segundo Mattos, a mudança envolve a formação de profissionais, já que posições de nível sênior dependem da experiência acumulada nas etapas iniciais da carreira.
Entre as iniciativas de inserção no mercado formal está o Programa Jovem Aprendiz. Em 2025, foram registradas 715 mil contratações de pessoas entre 14 e 24 anos, maior volume desde a criação do programa, há 25 anos. Em Goiás, o Estado ocupa a quinta posição no ranking nacional de contratações nessa faixa etária e mantém cerca de 8.500 jovens ativos no programa de socioaprendizagem gerenciado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Seds).
Para Rafael Carlos Gonçalves, coordenador de Recursos Humanos e especialista em gestão de pessoas da FGR Incorporações, os aprendizes são considerados “talentos em construção”. Segundo Gonçalves, o programa envolve disciplina, aprendizado técnico e desenvolvimento comportamental para preparar jovens para as exigências do mercado corporativo.
No cenário internacional, relatório da OIT publicado em 12 de agosto de 2026 aponta que o desemprego juvenil chegou a 12,4% em 2025, atingindo aproximadamente 67 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos. O documento também aponta que 20% da população jovem mundial, mais de 257 milhões de pessoas, estava na condição de NEET, que reúne pessoas que não estão empregadas, estudando ou em formação profissional. A OIT aponta a escassez de postos de trabalho decentes como um dos principais obstáculos nas economias em desenvolvimento.
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