quinta-feira, 24 de setembro de 2026
ARTE E CULTURA

Pela primeira vez em Goiânia, exposição reúne 60 fotografias de Vik Muniz na Vila Cultural Cora Coralina

Exposição percorre três décadas da produção do artista e reúne trabalhos feitos com açúcar, chocolate, sucata, poeira e cinzas

Luana Avelarpor em
Pela primeira vez em Goiânia, exposição reúne 60 fotografias de Vik Muniz na Vila Cultural Cora Coralina
FOTO: DIVULGAÇÃO

Chocolate, açúcar, arame, sucata, poeira e cinzas aparecem onde normalmente se esperaria tinta ou pedra. É dessa troca de materiais que nasce parte importante da obra de Vik Muniz, conhecido por construir imagens com elementos improváveis antes de transformá-las em fotografia.

Pela primeira vez, Goiânia recebe uma exposição dedicada à sua trajetória. “Vik Muniz – REVER: Imagem e Reflexão” será aberta em 5 de outubro, na Vila Cultural Cora Coralina, com a presença do artista e do curador Daniel Rangel. A mostra reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027, com entrada gratuita.

A seleção apresenta diferentes momentos da pesquisa de Muniz sobre imagem, matéria e representação. Em seu processo, a fotografia não é o começo. Antes dela, o artista montava composições com alimentos, resíduos, fios e outros materiais. Só depois registra a cena. À distância, o público reconhece uma figura; de perto, percebe que ela foi feita.

Esse procedimento aparece em releituras de referências ligadas a Botticelli, Raphael, Picasso, Andy Warhol, Joseph Beuys e Yves Klein. Em “A partir de Warhol – Duas Vezes Mona Lisa”, por exemplo, a conhecida imagem é recriada com pasta de amendoim e geleia.

Outro núcleo reúne trabalhos da série “Museu de Cinzas”, criada após o incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Em Goiânia, estarão “Vaso Marajoara, 400–1400 d.C., Norte do Brasil” e “Afresco Pompeia (Detalhe)”, ambos de 2019. As cinzas acrescentam à composição questões de perda, memória e preservação do patrimônio.

Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz tem obras em instituições como Centre Pompidou, MoMA e Tate. Sua produção também ganhou projeção com “Lixo Extraordinário”, documentário sobre catadores do Jardim Gramacho indicado ao Oscar.

Realizada pelo Sesc Goiás e idealizada pela Entrearte, a exposição propõe justamente aquilo que o título anuncia: olhar novamente para imagens conhecidas e descobrir do que elas são feitas.

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