TVs dos EUA suspendem cobertura de Trump após veto a jornalistas
ABC, CBS, NBC e Fox News decidiram não substituir a CNN no sistema que compartilha imagens dos compromissos presidenciais
Grandes redes de televisão dos Estados Unidos suspenderam a cobertura conjunta das atividades do presidente Donald Trump depois que jornalistas da CNN, da MS NOW — antiga MSNBC — e do site Politico foram proibidos de entrar na Casa Branca.
ABC, CBS, NBC e Fox News decidiram não enviar equipes para substituir a CNN no chamado “pool” de televisão. O sistema funciona por revezamento: a cada compromisso presidencial, uma das cinco emissoras fica responsável por filmar o evento e compartilhar as imagens com os demais veículos credenciados.
A CNN estava escalada para acompanhar Trump em uma viagem a Nova York, onde o presidente participa da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Casa Branca, porém, retirou a emissora da cobertura. Como as outras quatro redes se recusaram a ocupar seu lugar, os eventos presidenciais previstos para o período ficaram sem as imagens compartilhadas pelo grupo.
Bryan Boughton, chefe do escritório da Fox News em Washington e presidente em exercício do pool televisivo, informou que não haveria uma equipe substituta. A decisão representa uma reação conjunta das emissoras às restrições impostas aos três veículos de comunicação.
Jornalistas tiveram credenciais recolhidas
Trump anunciou o veto na sexta-feira (18), por meio de uma publicação na rede Truth Social. Ele acusou CNN, MS NOW e Politico de divulgar notícias falsas, mas não apresentou provas específicas contra os veículos.
No dia seguinte, profissionais das três empresas foram impedidos de entrar no complexo presidencial. As credenciais de imprensa foram desativadas ou recolhidas quando os jornalistas tentaram acessar o local de trabalho.
As organizações afirmam que a proibição foi motivada pelo conteúdo da cobertura jornalística e consideram a medida uma violação da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.
CNN, MS NOW e Politico entraram conjuntamente com uma ação contra o governo Trump. Os veículos sustentam que tiveram as credenciais retiradas sem aviso prévio e sem a oportunidade de contestar administrativamente a decisão.
A Associação de Correspondentes da Casa Branca também se manifestou contra o veto. Em nota, a entidade declarou que a questão vai além dos direitos dos jornalistas e envolve o direito da população norte-americana de receber informações independentes sobre decisões e atividades do governo.
Trump negou que esteja atacando a liberdade de imprensa. Segundo ele, as medidas são direcionadas ao que classifica como “notícias falsas”. O presidente também indicou que outros veículos poderão ser atingidos por restrições semelhantes.
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