No Manda Vê, Júlia Galvão fala sobre empreendedorismo, comunidade e os bastidores da Ambrô
Empresária goiana que começou com menos de R$ 1 mil e 12 peças na 44 conta como transformou audiência em negócio e hoje comanda marca e plataforma de afiliados
Júlia Galvão começou a construir sua audiência ainda adolescente. Aos 12 anos, criou um blog para falar de achados baratos, produtos encontrados na internet e situações da própria rotina. Meses depois, levou o conteúdo para o YouTube, onde ganhou projeção nacional. No Instagram, manteve uma audiência fortemente ligada a Goiânia, característica que mais tarde se tornaria uma vantagem quando grandes marcas ampliaram a atuação digital na capital.
Aos 15 anos, já emancipada e com CNPJ, passou a trabalhar com empresas como Coca-Cola, Sky, Uber e Americanas. No episódio da última segunda-feira (21) do podcast Manda Vê, a empresária goiana relembrou que o início profissional foi marcado por tentativa, aprendizado e produção com poucos recursos.
A passagem da influência digital para o varejo também não ocorreu de forma linear. Antes da Ambrô, Júlia abriu uma empresa após oito meses de planejamento e um plano de negócios de 48 páginas. O empreendimento fechou três meses depois. Em 2019, decidiu recomeçar de maneira quase oposta: com menos de R$1 mil, comprou cerca de 12 peças na 44, um espelho e sacolas de papel. Assim começou a Ambrô. A experiência viraria base para a etapa seguinte.
Durante mais de um ano, os contratos que ainda mantinha como influenciadora permitiram que trabalhasse na nova marca sem retirar salário. O dinheiro gerado era reinvestido, enquanto ela diminuía gradualmente a atuação voltada ao consumidor final nas próprias redes. Quando a Ambrô começou a ganhar projeção, Júlia passou a direcionar parte do conteúdo para empreendedores e temas ligados a marketing e varejo.
Na entrevista, ela aponta a comunidade como uma das bases dessa expansão. A lógica não é tentar falar com todo mundo, mas entender quem é o público e quais pessoas exercem influência dentro daquele grupo. Para Júlia, número de seguidores não é sinônimo de capacidade de mobilização. A credibilidade pode estar em alguém com audiência pequena, mas com relações fortes e poder de recomendação.
Essa percepção passou a orientar programas de embaixadores e estratégias de indicação. Em um dos exemplos citados no programa, uma professora de inglês entrou para o grupo de embaixadoras da Ambrô quando tinha menos de 2 mil seguidores no Instagram. Ainda assim, a relação que mantinha com alunas e amigas produzia resultados relevantes para a marca. O caso reforçou a leitura de que a influência depende menos do tamanho do perfil e mais confiança construída em uma comunidade.
A experiência também se desdobrou em tecnologia. Júlia é sócia-fundadora de uma plataforma voltada à gestão de afiliados para e-commerces e lojas físicas. No programa, afirmou que enxerga os afiliados como parte de uma transformação que não deve ficar restrita ao comércio digital. A aposta é aproximar estratégias de recomendação também das lojas físicas e de diferentes gerações de consumidores.
O mesmo raciocínio aparece quando se fala sobre criatividade. Júlia diz que costuma observar referências e fazer conexões entre ideias, comportamentos e situações. Para organizar esse repertório, chegou a sugerir o uso de inteligência artificial como uma espécie de arquivo externo, em que imagens, áudios, vídeos e referências possam ser retomados diante de um problema ou campanha.
Apesar dos resultados acumulados, ela rejeita a ideia de que o empreendedor deva acertar de primeira. Ao falar sobre novos negócios, critica a ansiedade por resultados imediatos e defende que o erro seja tratado como parte do processo. “O que eu sempre falo é que eu não tenho o plano B pro meu sonho. O meu sonho é meu plano A. Eu tenho até o Z no alfabeto. Tem o plano B dentro do meu A”, afirma.
Aos 25 anos e com 13 anos de atuação em comunicação e marketing, Júlia diz viver hoje um momento de concentrar energia em menos projetos. A Ambrô permanece como espaço de teste para ideias ligadas a audiência, comunidade e varejo. O desafio, agora, é transformar atenção em confiança e essa confiança em relações capazes de sustentar um negócio.
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