Daniel fazer seu grupo crer que vai ganhar no 1º turno pode complicar no 2º
Quando Caiado precisou de Vilela para se eleger senador, em 2014, não pôde contar, o que descamba para o enredo vivido por Iris em 1998, Cidinho em 2010 e Marconi em 2018, ter um exército desanimado com as pressões, que há 2.305 anos consegue o mesmo resultado, a derrota
Há 23 séculos, Pirro, rei de onde hoje é a Grécia, se notabilizou pela oposição à temível Roma. Após uma batalha, que ganhou com numerosas baixas, disse em 279 a.C.: “Mais uma vitória dessas e estaremos perdidos”. É o caso de Daniel Vilela (MDB), governador que tenta a reeleição. Até agora, tudo o que quis, teve. Xingou Ronaldo Caiado até ser convidado para o grupo. Como vice, queria saltitar de evento em evento representando o governo para aparecer. Caiado consentiu. Quis ser o candidato de Caiado à sucessão. Conseguiu. Se Caiado deslanchasse nas pesquisas para presidente da República, ficaria nos Estados mais populosos fazendo campanha e o deixaria em Goiás para se virar nos 15+15. Portanto, o que fosse bom para Caiado seria péssimo para Daniel.
Não se sabe qual das macumbas deu certo e o certo é que nem o discurso da segurança, nem o grande prestígio no agro, nem a expertise e a biografia adiantaram, Caiado está em 4º lugar e só um milagre de Roque Santeiro mudaria o quadro. Então, mais um ponto para Daniel, que pediu para Caiado ficar em Goiás se dedicando à disputa estadual. Foi atendido. Bateu o pé para ter quatro senatoriáveis, não só dois, como Ronaldo e Gracinha Caiado queriam. Atenderam a mais um capricho de Daniel. As manchetes da vez, pagas a torto e a direito em blogs de tudo quanto é biboca, fazem seus aliados acreditarem que Daniel terá o mesmo destino de Caiado e vai decidir a eleição no 1º turno. E se der errado?
Caso haja 2º turno, ter sido o 1º no 1º turno será o 1º passo rumo à derrota
Caso haja 2º turno, ter sido o 1º no 1º turno será o 1º passo rumo à derrota. Logo na noite do 1º domingo de outubro, quando saírem as listas dos eleitos a deputado estadual e federal, as cobranças sobre Daniel vão se transformar em ódio. Sua aliança tem cerca de 500 candidatos proporcionais e, em perspectiva otimista, uns 40 serão eleitos, 10 à Câmara dos Deputados, 30 à Assembleia Legislativa. Os demais 460 estarão endividados e sem mandatos. O impulso inicial é partir para cima do governador querendo cargo e dinheiro, muito dinheiro, um poço sem fundo de tanto dinheiro. Tolice dizer que governador não é pródigo em ambos, pois os cofres do governo estão mais cheios que os bueiros de Goiânia. Cargo comissionado ali não falta para o grupo, afinal, são 10 mil no Estado, mais de 6 mil na Assembleia, 20 mil nas 246 prefeituras e 246 câmaras, além dos fornecedores e prestadores de serviço.
Os 460 vão ficar diuturnamente na cola de Daniel
Os 460 vão ficar diuturnamente na cola de Daniel e ainda mais os outros 40, os que ganharam nas urnas, pois não há um líder genuíno em qualquer dos 12 partidos do grupo, é tudo resolvido na máquina, não existe voto grátis, o que não custa dinheiro vivo também morre numa nota. Além deles, os majoritários derrotados também vão virar sarnas incansáveis na pele de Daniel. São 12 tentando o Senado, os quatro candidatos titulares e seus oito suplentes. Há duas vagas, porém, nem nos mais dourados sonhos do governo ele será mais que um. Se tudo continuar róseo para o governador-tampão, elege um, na verdade, uma, a favorita Gracinha Caiado. Os outros três irão atrás de Daniel feito bala, mais rápidos que o robô que tirou de Usain Bolt o recorde dos 100 metros. Um deles, Vanderlan Cardoso (PSD), ficou ricaço no eixo Rondônia-Roraima, e comparados a ele os outros dois, Gustavo Mendanha (PRD) e Zacharias Calil (MDB), são pobretões. Perderam? Bora pra porta do Palácio atrás de notas vivas de reais.
Daniel não tem escapatória. Se não derramar dinheiro para esses 400 e tantos atolados em débitos, eles simplesmente ficarão fora de sua campanha. O mínimo que podem fazer favorável ao governador é cruzar os braços. A maioria esmagadora vai para o adversário no 2º turno descontar no companheiro do 1º. É uma maioria que esmaga, mesmo. Nenhum deles, no entanto, vai fazer mais falta a Daniel que o casal Caiado. Não é segredo para ninguém, muito menos para o pessoal da cúpula, que a campanha de Gracinha vem sendo sabotada por elementos do governo. Como O HOJE publicou, ela é favorita, mas, quem está na chuva de traições dos vilelistas é para se afogar em desculpas. Experiente que só ele, Ronaldo Caiado soube ontem o que Daniel vai almoçar amanhã, pois ele, Ronaldo Caiado, vai jantar Daniel é no 2º turno, caso a falta de empenho dos vilelistas se traduza em vicissitudes para a ex-primeira-dama.
Existiria algo pior para Daniel que os 500 deputáveis no batente da sua janela?

Existiria algo pior para Daniel que os 500 deputáveis no batente da sua janela pedindo dinheiro e o casal Caiado viajando pelo Brasil da 1ª segunda-feira de outubro até o último domingo fazendo campanha para Flávio Bolsonaro (PL) se eleger presidente? Sim. Existe algo pior. É o exército de Pirro se sentir ferido de tal forma que os triunfos nas batalhas serem tão doídos e antecederem o fracasso na guerra. Quando os 200 (fala-se até em 230) prefeitos e seus cônjuges, os quase 2 mil vereadores, os mil secretários, a chusma de ex-detentores de mandatos municipais e os 36 mil ocupantes de cargos comissionais perceberem que o tigrinho perdeu as presas e as garras, aí, ninguém segura a mão de quem vai para o precipício.
Parece um pesadelo. Não é. É a real politik. Ocorreu com Iris Rezende em 1998 e olhe que é até pecado comparar Daniel a um dos raros goianos da política que realmente tiveram liderança popular. Ocorreu com o próprio Caiado em 1994 e observe que é outro líder, no caso, classista, revelou-se bom de voto e de gestão. Ambos lideraram até quase o fim e foi o fim, mesmo. Iris ficou em 2º; Caiado, em 3º. Ah, mas governador de Goiás sabe usar as riquezas da Secretaria da Fazenda e sempre faz o sucessor. Sempre, não. Em 1982, Ary Valadão não fez o sucessor. Em 1986, Onofre Quinan e Iris não fizeram o sucessor. Em 1990, Henrique Santillo não fez o sucessor. Em 1998, Maguito Vilela não fez o sucessor. Em 2010, Cidinho Rodrigues não fez o sucessor. Em 2018, Marconi Perillo e José Éliton não fizeram o sucessor. Os queridinhos do governador de plantão só ganharam em 1994 (Iris elegeu Maguito) e a si mesmos (Marconi Perillo e Caiado).
O exército de Pirro vai de cabeça baixa para o 2º turno
Todos os citados acima escreveram o roteiro que hoje os partidários de Daniel supõem ser inalcançável pelos adversários. O exército de Pirro vai de cabeça baixa para o 2º turno. Iris tinha em 1998 os mesmos batalhões que batem continência para Daniel. Vendo que Marconi iria atropelar o imbatível Iris, a soldadesca marchou para outro rumo. Zé Eliton também contava com trocentos prefeitos, milhares de vereadores etc. etc.. Terminou em 3º lugar. Aqueles servidores obrigados a encher o carro de adesivo, a balançar bandeira à tardinha-noite e nos fins de semana, a colocar a foto do indigitado em seu perfil do WhatsApp, a postar agendas e fotos em suas mídias sociais, esses trabalhadores vão se vingar nas urnas no 1º turno e nelas e nas ruas no 2º.
Se perder o apoio de Ronaldo e Gracinha, Daniel ficará a pé
Se perder o apoio de Ronaldo e Gracinha Caiado, o que está se desenhando, Daniel ficará mais a pé que quem atrasa a 3ª prestação do carro financiado. Seu partido, o MDB, não reservou sequer R$ 1 centavo para a campanha de Caiado a presidente, não lhe abriu sequer um diretório regional, não lhe deu qualquer apoio. Não é de hoje. Em 2014, quando Daniel foi candidato a deputado, fez esforço algum para Caiado ser senador. A Prefeitura de Aparecida, então comandada por seu pai, Maguito Vilela, teve uma rotina normal, o que é correto do ponto de vista jurídico e uma lástima no âmbito político. Pedido de voto, mesmo, apenas para o filho, nada para Iris governador nem Caiado senador, apesar de Ronaldo ter sido fundamental na vitória de Maguito para prefeito em 2008. Então, o que Caiado deve a Daniel? Nada. Daniel é que lhe deve o cargo de vice e o de governador por nove meses. Nem sempre uma gestão inteira faz nascer algo que preste. Às vezes, pare apenas a ingratidão que não para. (Especial para O HOJE)
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