domingo, 27 de setembro de 2026
PARALISAÇÃO

GDF aciona Justiça após rodoviários confirmarem greve em Brasília

Categoria rejeitou a proposta apresentada pelas empresas e mantém mobilização durante a semana que antecede o primeiro turno das eleições

Thais Munizpor em
rodoviários
Rodoviários anunciam paralisação a partir desta segunda-feira (28) no DF - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os rodoviários do Distrito Federal confirmaram a greve da categoria a partir de 0h desta segunda-feira (28). A decisão foi tomada em assembleia realizada na manhã deste domingo (27), no estacionamento do Conic, após os trabalhadores rejeitarem as contrapropostas apresentadas pelas empresas de transporte coletivo.

A categoria reivindica reajuste de 8% nos salários, 10% nos benefícios alimentares e 12% no plano de saúde. As negociações sobre a data-base, que tem como referência 1º de agosto de 2026, ocorrem desde julho.

As empresas apresentaram uma nova proposta no sábado (26). A oferta prevê reajuste salarial de 6%, além de aumento de 7% no ticket refeição-alimentação e na cesta básica. Para o auxílio saúde e o plano odontológico, a proposta estabelece reajuste de 11,88%.

O que está em negociação

Além dos reajustes, a proposta das concessionárias prevê a manutenção dos postos destinados aos cobradores durante a vigência do acordo. As empresas também informaram que o seguro de vida em grupo seria duplicado.

A paralisação havia sido aprovada pela categoria anteriormente, mas uma nova assembleia foi realizada neste domingo para avaliar a proposta apresentada na última rodada de negociação. Com a rejeição, o sindicato confirmou o início da greve para a madrugada desta segunda-feira.

Segundo as concessionárias, foram realizadas mais de dez rodadas de negociação desde o início das tratativas. Em nota, as empresas afirmaram que a proposta apresentada contempla reajustes superiores à inflação em diferentes itens.

“A proposta apresentada pelas empresas neste sábado (26) prevê reajuste salarial de 6%, acima da inflação de 4,11% no período.”

As concessionárias também afirmaram que continuam abertas às negociações e defenderam o cumprimento das regras previstas para serviços essenciais durante uma eventual paralisação.

GDF aciona Justiça e cita eleições

O Governo do Distrito Federal informou que adotou medidas junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) para tentar garantir a circulação dos ônibus durante a greve. Entre os pedidos apresentados estava a definição de percentuais mínimos de funcionamento do sistema.

Em nota, o GDF informou que reconhece o direito dos trabalhadores de apresentar reivindicações salariais e relacionadas às condições de trabalho. Ao mesmo tempo, o governo questionou a decisão de paralisação diante da proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

O governo também informou que o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) solicitou apoio da Secretaria de Transporte e Mobilidade para garantir a operação do transporte coletivo durante o período eleitoral.

Para o primeiro turno e, caso ocorra, o segundo turno, previsto para 25 de outubro, o GDF autorizou a utilização da tabela horária dos dias úteis nos ônibus. A medida busca ampliar a oferta de transporte aos eleitores.

O transporte público também será gratuito nos dias de votação, conforme informado pelo governo.

Justiça determina circulação mínima

A Justiça determinou que os rodoviários mantenham 80% das viagens programadas nos horários de pico, entre 5h30 e 9h e das 17h às 20h, durante a greve. Nos demais períodos, pelo menos 50% das viagens previstas deverão ser realizadas.

Em caso de descumprimento da decisão, foi estabelecida multa de R$ 100 mil por hora. O valor poderá chegar a R$ 200 mil por hora em caso de reincidência.

A determinação judicial estabelece percentuais diferentes dos solicitados inicialmente pelo GDF. O governo havia pedido à Justiça a manutenção de 80% da frota nos horários de menor movimento e 100% nos períodos de pico, entre 6h e 8h30 e das 17h às 19h30.

Número de passageiros

Segundo dados apresentados pelo GDF, aproximadamente 1 milhão de passageiros utilizam os ônibus diariamente no Distrito Federal. A paralisação ocorre, portanto, em um momento de intensa movimentação no transporte público da capital.

O governo informou que a Secretaria de Transporte e Mobilidade também deverá apoiar a operação das linhas urbanas e rurais durante o período eleitoral.

A greve ocorre na semana que antecede o primeiro turno das eleições de 2026. No Distrito Federal, os eleitores irão às urnas em 4 de outubro para escolher presidente, governador, senador e deputados. Em eventual segundo turno, a votação será realizada em 25 de outubro.

Para os dias de votação, a operação dos ônibus seguirá a tabela horária correspondente aos dias úteis, conforme determinação anunciada pelo GDF. O transporte também será gratuito para os eleitores.

A paralisação começa a partir de 0h desta segunda-feira (28). Não há, até o momento, previsão informada para o encerramento da greve.

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