Em Goiânia, Caiado critica uso político da religião, defende limite para gastos e responde a Flávio
Durante caminhada no Jardim Guanabara, em Goiânia, candidato do PSD também defendeu medidas de controle das despesas do governo, revisão de incentivos e mudanças na área de segurança pública
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta segunda-feira (28) o uso da religião na disputa eleitoral e apresentou propostas para controlar os gastos públicos durante agenda de campanha no Jardim Guanabara, em Goiânia. O presidenciável participou de uma caminhada pela região e, posteriormente, conversou com a imprensa sobre temas que estão no centro da campanha, como economia, segurança pública e a relação entre política e religião.
Caiado defende limite para gastos e critica uso político da religião
Ao comentar a utilização da religião por candidatos, Caiado afirmou que considera inadmissível transformar a fé em instrumento de disputa partidária. Católico praticante, ele disse que o político deve respeitar diferentes crenças e garantir a liberdade religiosa. Para o candidato, a polarização em torno de questões religiosas contribui para ampliar conflitos entre os brasileiros e precisa dar lugar à reflexão e à convivência entre pessoas com diferentes posições.
Na economia, o candidato voltou a apresentar a gestão de Goiás como referência para as propostas que pretende levar ao governo federal. Caiado afirmou que encontrou um Estado com dificuldades fiscais, dívidas com fornecedores e salários atrasados e que, durante sua administração, houve recuperação do equilíbrio das contas. Segundo ele, a reorganização financeira permitiu ampliar investimentos em saúde, educação, segurança pública e programas sociais.
Para a União, Caiado defendeu uma mudança constitucional para estabelecer que o crescimento dos gastos públicos fique limitado a 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A proposta, segundo o candidato, seria acompanhada de uma revisão dos incentivos concedidos pelo governo e de medidas para impedir o uso considerado irregular de programas públicos. Ele também afirmou que pretende promover um corte administrativo, com redução de despesas relacionadas a grandes salários e diminuição de 25% dos repasses aos Poderes e órgãos independentes.
Caiado relacionou o controle das despesas à possibilidade de redução da taxa de juros. Durante a entrevista, afirmou que pretende criar condições para que os juros caiam para um patamar entre 6% e 7%. A estratégia, segundo ele, dependeria da recuperação da confiança de empresários e da população na condução das contas públicas.
Na segurança, o candidato defendeu mudanças na responsabilização de adolescentes envolvidos em determinados crimes graves. Caiado fez questão de diferenciar a proposta de uma redução generalizada da idade de responsabilização. Segundo ele, a medida deveria alcançar situações específicas nas quais o autor demonstre consciência sobre a gravidade do crime cometido.
Ao apresentar as propostas, Caiado também voltou a utilizar a própria trajetória política como argumento. Ele afirmou que possui quatro décadas de vida pública sem, segundo sua declaração, processos que possam comprometer sua honra ou dignidade. A expressão “autoridade moral” foi utilizada pelo candidato para definir o que considera necessário para implementar mudanças na administração federal.
Caiado responde ao Hoje sobre declaração de Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, quando questionado pelo Hoje sobre a declaração de Flávio Bolsonaro de que Lula seria seu único adversário na disputa presidencial, Caiado direcionou a resposta ao histórico de oposição que mantém com o atual presidente. O candidato afirmou que Lula é seu adversário político há décadas e mencionou sua trajetória de enfrentamento com o PT.
“Esse já é o meu adversário desde 1986, depois dele em 1989”, afirmou Caiado. Na sequência, o candidato estabeleceu uma comparação entre os modelos de gestão que atribui aos dois campos políticos e disse que sempre teve o PT como adversário por considerar que possui uma concepção diferente de administração pública.
“Nós temos uma gestão diferente. Nós temos uma gestão ética, honesta, transparente”, declarou. Caiado voltou a citar os 40 anos de vida pública e afirmou que não possui processos que possam, segundo ele, atingir sua honra ou dignidade.
A resposta foi dada depois que o Hoje perguntou ao candidato como ele recebeu a declaração de Flávio Bolsonaro de que não teria Caiado como adversário na disputa e que seu principal confronto seria com Lula. Em vez de concentrar a resposta na relação com Flávio, Caiado retomou a oposição histórica ao PT e apresentou sua trajetória política como parte da justificativa para disputar a Presidência.
A declaração ocorreu durante a agenda de campanha no Jardim Guanabara, em Goiânia, nesta segunda-feira (28), em meio à intensificação da disputa presidencial e à tentativa dos candidatos de delimitar seus principais adversários e diferenças políticas na reta final da campanha.
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