Goiás registra 25 mortes por doenças cardiovasculares por dia
Infarto, AVC e insuficiência cardíaca concentram os principais registros de óbitos no Estado
Goiás registrou 9.123 mortes por doenças cardiovasculares em 2025, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O número representa uma média de cerca de 25 óbitos por dia. Entre as principais causas estão o infarto agudo do miocárdio (IAM), responsável por 4.678 mortes, o acidente vascular cerebral (AVC), com 2.728, e a insuficiência cardíaca, que provocou 1.717 óbitos.
Os dados ganham destaque durante o Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre a saúde cardiovascular, e às vésperas do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. O cenário chama atenção para fatores de risco que podem permanecer por anos sem provocar sintomas, como hipertensão, sedentarismo, obesidade e tabagismo.
Um estudo publicado em 2024, elaborado por pesquisadores da Universidade de Rio Verde (UniRV) com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), analisou as mortes por infarto entre adultos de 20 a 59 anos em Goiás. O levantamento considera o período de 2012 a 2021 e identificou 7.399 óbitos por infarto agudo do miocárdio (IAM) nessa faixa etária. Os homens representaram 71,2% das vítimas, enquanto as pessoas de 50 a 59 anos concentraram 61,8% dos registros.
O levantamento identificou ainda que 65,4% das vítimas eram classificadas como não brancas, 38,4% eram casadas e 26,1% tinham entre quatro e sete anos de estudo. A macrorregião Centro-Oeste concentrou 30,5% dos registros, com destaque para as regiões de saúde Central e Sul.
Para os pesquisadores, conhecer esse perfil ajuda a direcionar medidas de prevenção de acordo com as características da população. O levantamento também registrou pouca variação anual no número de mortes por infarto durante o período analisado, com aumento mais expressivo em 2021.
Pressão pode avançar silenciosamente
Entre os principais fatores associados às doenças cardiovasculares está a hipertensão arterial. O problema pode evoluir sem sintomas enquanto provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos e aumenta o risco de complicações no coração, cérebro e rins.
O cardiologista Dr. Giuliano Serafino Ciambelli, destaca que até níveis de pressão considerados anteriormente normais passaram a exigir maior atenção. “Muitos pacientes se surpreendem ao descobrir que o ‘12 por 8’ agora exige atenção. A mudança da comunidade médica se baseia em evidências de que o risco de lesões vasculares em órgãos-alvo, como rins, cérebro e o próprio coração começa a subir silenciosamente antes mesmo que a hipertensão estágio 1 se estabeleça”, explica.
Segundo o especialista, o acompanhamento deve ser mantido mesmo na ausência de sintomas, com avaliação médica e, quando indicada, a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA).
O calor intenso também pode aumentar a sobrecarga cardiovascular. Em períodos de altas temperaturas e baixa umidade, a perda de líquidos altera o funcionamento da circulação, especialmente entre idosos, hipertensos e pessoas que utilizam medicamentos diuréticos ou anti-hipertensivos.
“Em dias muito quentes, os riscos de desequilíbrio circulatório aumentam consideravelmente, sobretudo entre idosos, hipertensos e pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos diuréticos ou anti-hipertensivos. A desidratação ‘invisível’ reduz o volume sanguíneo, podendo provocar tonturas, arritmias, picos pressóricos descontrolados e sobrecarga no miocárdio”, afirma Ciambelli.
Homens concentram maioria das mortes por infarto
O estudo sobre os óbitos por IAM revela uma diferença importante entre os sexos. Mais de sete em cada dez mortes analisadas ocorreram entre homens. A faixa etária de 50 a 59 anos concentrou a maior parte dos registros, indicando que o acompanhamento cardiovascular também precisa fazer parte da rotina de adultos em idade produtiva.
O infarto, porém, nem sempre apresenta a conhecida dor ou pressão no peito. Em alguns grupos, os sintomas podem ser menos evidentes, o que dificulta a identificação rápida do problema.
“Em idosos, mulheres e pessoas com diabetes, os eventos cardiovasculares graves frequentemente se manifestam sem a dor no peito tradicional. O paciente pode apresentar apenas suor frio repentino, náuseas, tontura, falta de ar desproporcional ao esforço ou um mal-estar indefinido. Diante desses sinais súbitos, deve-se procurar socorro hospitalar sem demora”, alerta o cardiologista.
Para o cardiologista, a prevenção deve começar antes de qualquer evento grave. “ Não se deve esperar um sintoma grave ou a dor no peito aparecer para começar a cuidar da saúde vascular. Conhecer os seus números de pressão, glicemia e colesterol, manter uma rotina de exames e adotar um estilo de vida com atividade física e boa higiene do sono”, conclui.
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