TSE analisa nesta quarta decisão sobre posts que associam Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida
Ministros vão avaliar decisão de André Mendonça que determinou a retirada de publicações sobre suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil
O plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa nesta quarta-feira (30) a decisão do ministro André Mendonça que determinou a retirada de publicações relacionadas a uma alegação de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A sessão está prevista para começar às 10h.
O caso chegou ao TSE depois que a campanha de Flávio Bolsonaro contestou conteúdos publicados nas redes sociais. Segundo o candidato, as publicações faziam parte de uma onda de informações falsas que atribuíam a ele a intenção de apresentar ou apoiar uma proposta para retirar o título concedido à santa. Flávio nega essa intenção.
Na sexta-feira (25), Mendonça determinou que plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube retirassem do ar publicações que apresentassem como verdadeira a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família pretendiam promover a retirada do título. Na decisão, o ministro considerou falsa essa associação.
Decisões divergentes
A determinação de Mendonça provocou uma sequência de decisões envolvendo ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo (27), o ministro Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça após recurso apresentado pelo humorista Antonio Tabet, autor de uma das publicações atingidas pela ordem de remoção. Dino argumentou que o conteúdo não citava nominalmente Flávio Bolsonaro e defendeu a proteção à liberdade de expressão.
Na segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux, do STF, suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu, de forma provisória, a determinação de Mendonça até que o caso fosse analisado pelo colegiado. A campanha de Flávio havia recorrido a Fux para contestar a decisão que permitiu a permanência das publicações.
O presidente do STF, Edson Fachin, não pautou para esta quarta-feira a análise das decisões conflitantes. Com isso, o TSE manteve o julgamento previsto para esta quarta-feira.
Publicação de Erika Hilton
Na terça-feira (29), Mendonça reconsiderou parcialmente sua própria decisão e autorizou a permanência no ar de uma publicação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Segundo o ministro, o conteúdo da parlamentar não apresentava como fato a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil, mas fazia referência condicional a uma eventual retomada do debate.
A decisão, porém, manteve o entendimento de Mendonça em relação às demais publicações que apresentem como fato a informação considerada falsa.
Tema entrou na campanha eleitoral
A controvérsia ganhou espaço na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. Flávio Bolsonaro passou a contestar publicamente as associações feitas a seu nome, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez declarações sobre Nossa Senhora Aparecida durante um evento em Belém (PA).
Em declaração, Flávio comparou as acusações envolvendo a santa às informações sobre o atentado sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2018. Lula, por sua vez, afirmou que, enquanto ocupasse a Presidência, ninguém iria “avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” e defendeu o respeito às diferentes religiões.
O episódio ocorre a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e colocou no centro do debate eleitoral uma disputa envolvendo liberdade de expressão, desinformação e os limites da atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos publicados nas redes sociais.
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