Aos 15, João Caetano transforma geladinho em negócio e conta como tudo começou no Manda Vê
Depois de dois planos frustrados, adolescente encontrou no geladinho a porta de entrada para aprender a empreender sem abrir mão dos estudos
Vinte geladinhos e cerca de 15 minutos foram suficientes para João Caetano perceber que a ideia podia ir além de uma experiência. Aos 15 anos, ele levou a primeira produção para a empresa da família, ofereceu os produtos no horário do almoço e vendeu tudo. A tentativa, feita depois de outros planos não saírem do papel, deu origem ao Geladinho do J e virou o principal assunto do episódio #13 do Manda Vê Com Elas, apresentado por Ludmila Paim e Marília Sylwitch.
Na conversa, transmitida na noite de quarta-feira (30), João contou que o interesse por trabalho veio antes do negócio próprio. Por volta dos 10 anos, começou a ajudar na empresa da mãe, primeiro em tarefas de apoio, depois na montagem de arranjos, em entregas e, mais tarde, no setor de recursos humanos. Até pouco tempo atrás, permanecia nessa última função, antes de se dedicar ao próprio negócio.
A cozinha já fazia parte da rotina. João diz que aprendeu cedo a preparar receitas e costumava testar pratos em casa. O geladinho também apareceu nessa fase: chegou a levar algumas unidades para a escola e a vender para colegas, mas ainda sem tratar a produção como negócio.
Da ideia ao primeiro pedido
A decisão de empreender veio neste ano. Antes do geladinho, João planejou vender hambúrgueres na feira do condomínio onde mora. Fez contas, pesquisou custos e montou um cardápio, mas descobriu que já havia um vendedor do mesmo segmento. Tentou então outra receita e recebeu nova negativa. Restou o produto que, inicialmente, seria apenas um complemento.
Ele preparou cerca de 20 unidades e levou para vender. “No primeiro dia, vendi tudo rapidão. Em 15 minutos eu vendi os 20 geladinhos”, contou. O movimento se repetiu no dia seguinte, mas caiu na segunda-feira. Foi quando percebeu que depender do mesmo grupo de compradores limitaria o negócio. Tentou oferecer o produto em lojas próximas e, depois, passou a receber encomendas pelas redes sociais.
A divulgação aumentou a procura. João, que imaginava vender cerca de 15 unidades por dia, relata que chegou a produzir aproximadamente 70 em um dos primeiros dias de maior demanda. A experiência também o colocou diante de uma parte menos confortável do processo: vender. “O não, eu já tenho, eu tenho que ir atrás do sim”, afirmou ao comentar as recusas que encontrou ao procurar clientes.
A rotina precisou caber ao lado da escola. João afirma não cogitar abandonar os estudos. Em um mês em que ficou doente e acumulou provas, interrompeu por alguns dias a divulgação dos geladinhos para recuperar o conteúdo. Quando o bimestre terminou, retomou as encomendas. Para ele, o desafio está em não transformar uma atividade na desculpa para abandonar a outra.
Durante as férias, participou de uma semana de estudos em uma escola de negócios em São Paulo, onde teve contato com finanças, marketing e outras áreas ligadas ao empreendedorismo. A formação, conta, chamou atenção justamente por aproximar o aprendizado de assuntos que pretende levar para a vida profissional.
Dinheiro que não fica parado
Se no início a motivação era ganhar dinheiro para comprar as próprias coisas, a relação com a renda mudou. João contou que passou a investir parte do que recebe com as vendas depois de conversar com a avó. Antes disso, chegou a planejar gastar praticamente todo o valor acumulado em um presente para a mãe. O conselho foi guardar e fazer o dinheiro render.
Hoje os investimentos estão divididos entre renda fixa e ações, com parte dos recursos planejada para permanecer aplicada por vários anos. A estratégia também funciona como forma de evitar gastos por impulso. “Não quero tirar dinheiro, eu não quero gastar, porque se eu ver esse dinheiro na minha conta, eu vou querer gastar”, disse.
O Geladinho do J, porém, não aparece nos planos como destino já definido. João o descreve como uma porta de entrada para aprender a lidar com produção, clientes, custos e vendas. No futuro, imagina atuar em outros negócios da família e admite que o projeto atual pode crescer, mas não trata essa expansão como obrigação. “É algo para eu ir aprendendo”, afirmou.
Fora das encomendas, a vida aos 15 anos inclui tênis, futebol, pescaria e viagens. João falou ainda do desejo de fazer intercâmbio. Quando questionado sobre como se imagina no futuro, a resposta não começou por uma empresa ou por uma meta financeira. Ele falou em ter filhos, trabalhar e permanecer próximo da família.
No episódio, o primeiro negócio aparece menos como chegada do que como teste. O hambúrguer não saiu, a segunda ideia também não, e o produto que seria apenas um complemento ganhou espaço. João ainda não sabe até onde o Geladinho do J pode chegar. Por enquanto, trata o negócio como um lugar para aprender enquanto faz. O episódio completo do Manda Vê Com Elas com João Caetano está disponível no canal do Manda Vê no YouTube.
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