Última propaganda dos candidatos ao Governo de Goiás concentra apelos ao eleitor
Continuidade do governo Caiado, experiência administrativa, alinhamento com Bolsonaro e ligação com Lula marcam as mensagens finais antes do primeiro turno
Bruno Goulart
Os candidatos ao Governo de Goiás usaram a última propaganda eleitoral antes do primeiro turno, exibida nesta quarta-feira (30/9), para reforçar as mensagens que marcaram suas campanhas. Com o fim do horário destinado aos candidatos ao governo, a disputa entra nos últimos três dias antes da votação. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) adotaram estratégias diferentes para tentar consolidar seus discursos e alcançar os eleitores na reta final.
Daniel
Daniel Vilela escolheu a Praça Cívica, em Goiânia, como cenário para a última propaganda eleitoral. O local foi usado para simbolizar o início da trajetória do atual governo e reforçar a mensagem de continuidade da gestão de Ronaldo Caiado (PSD). No programa, Daniel afirmou que foi a partir daquele espaço, sob a liderança do ex-governador, que foram construídas políticas que, segundo o emedebista, transformaram Goiás.
“Foi daqui de dentro, sobre a liderança do nosso sempre governador Ronaldo Caiado, que trabalhamos juntos para construir esse Estado que hoje é o mais seguro do Brasil”, afirmou. Daniel também citou avanços na educação, programas sociais, regionalização da saúde, infraestrutura e geração de oportunidades. Na avaliação apresentada pelo candidato, Goiás se tornou uma “verdadeira potência”, embora ainda existam problemas a serem resolvidos.
A propaganda então reforçou o principal argumento da candidatura: a continuidade. Caiado apareceu e pediu voto para o vice-governador, ao afirmar que Daniel é “a certeza que tudo de bom que fizemos vai continuar”. “É a garantia de que tudo que conquistamos para Goiás será mantido”, disse o governador.
Na parte final, Daniel agradeceu o apoio recebido durante a campanha e afirmou que pretende retribuí-lo com trabalho. “Tudo que eu fizer por Goiás ainda vai ser pouco diante de tanto carinho que estou recebendo. Domingo, vote 15”, declarou.
Para o presidente municipal do MDB, Haroldo Naves, a mensagem teve tom de “esperança e agradecimento”. Ao O HOJE, o dirigente afirmou que Daniel foi recebido “com muito carinho em todo o Estado” durante os 35 dias de propaganda eleitoral.
Marconi
Marconi Perillo encerrou sua participação com propaganda que combinou discurso político e jingle. O candidato já havia retomado sua trajetória em outro material, ao destacar as realizações de seus governos. “Eu tenho orgulho de olhar no seu olho e falar o que eu construí em Goiás”, afirmou.
O principal elemento da última propaganda, porém, foi o jingle. A música cita diferentes perfis da população: “O boiadeiro, o jovem fazendeiro, a mulher, o empresário, influencer, o cara da moto e a moça do Uber”. Todos são apresentados como personagens que se identificam com a candidatura. “É Marconi 45”, repete a música, que termina com o pedido: “Escolha o homem. Tá todo mundo com Marconi”.
A campanha informou ao O HOJE que a expectativa com o último programa era “fazer o máximo com o pouco tempo disponível na tela”. Segundo a equipe, a opção pelo jingle animado teve como objetivo fazer a mensagem “grudar na cabeça do eleitor de forma rápida e positiva”.
Ainda de acordo com a campanha, a estratégia buscou transmitir “energia, otimismo e confiança” e, ao mesmo tempo, lembrar a experiência de Marconi e suas realizações anteriores. A equipe afirmou que a intenção foi apresentar o candidato com “um olhar sempre voltado para o futuro e para a solução dos problemas de Goiás”, além de tentar alcançar eleitores que ainda estivessem em dúvida.
Wilder
Wilder Morais encerrou o horário eleitoral com reforço à ligação com o bolsonarismo. O programa contou com o discurso do candidato a presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL), que pediu aos eleitores que apoiam Jair Bolsonaro que também votem em Wilder. “Quem vota no Bolsonaro 22 tem que votar para governador no Wilder Morais 22”, afirmou Flávio.
Na sequência, Wilder apresentou uma projeção para os próximos quatro anos, ao citar atendimento de saúde, emprego e segurança. O candidato afirmou que as propostas estão registradas em seu plano de governo e que pretende trabalhar para colocá-las em prática. Wilder também voltou ao discurso de que Goiás é um Estado conservador e associou sua candidatura a valores como família, vida e trabalho. “Está na hora do 22 governar Goiás”, disse.
A campanha de Wilder Morais afirmou que o último programa eleitoral buscou levar o eleitor a refletir sobre o futuro que deseja para si e para a família. A estratégia, segundo a equipe, foi estimular a comparação entre os candidatos, considerando suas trajetórias, valores e propostas. “A expectativa é fazer com que o cidadão reflita sobre a vida que ele deseja ter para si e para a sua família a partir do próximo ano”, informou.
O programa também reforçou a ligação de Wilder com Flávio Bolsonaro e a identificação do candidato com a direita. A campanha destacou as propostas para manter ações que já funcionam e ampliar o acesso da população a serviços e oportunidades. “O programa mostra que Wilder é o candidato do Flávio Bolsonaro, o candidato da direita”, afirmou a equipe.
Luis Cesar
Luis Cesar Bueno, por sua vez, encerrou sua propaganda ao reforçar a ligação com o presidente Lula da Silva (PT). O candidato pediu voto para a chapa petista e afirmou que Lula foi quem mais fez por Goiás. “Vamos votar na chapa do Lula. Vamos votar no time do Lula pelo bem de Goiás”, disse Luis Cesar. A mensagem terminou com o slogan “com 13, Goiás pode mais, muito mais”.
A campanha petista avaliou ao O HOJE que chegou à reta final depois de enfrentar dificuldades na construção da candidatura. Segundo a equipe, houve demora na definição do projeto e impasses relacionados aos recursos do fundo eleitoral. Também destacou a diferença de tempo de preparação em relação aos adversários. Na avaliação enviada à reportagem, Luis Cesar enfrentou um governador que estava há oito anos em campanha e candidatos que já trabalhavam em seus projetos eleitorais havia pelo menos quatro anos.
Apesar dessas dificuldades, a equipe classificou a campanha como “vitoriosa” e afirmou ter conseguido mobilizar a militância e apresentar ao eleitor de Lula a existência de um candidato petista ao Governo de Goiás. (Especial para O HOJE)
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