Brasil registra um caso de violência política a cada 44 horas, e metade das vítimas são mulheres
País soma 354 casos desde outubro de 2024; Tribunal Regional Eleitoral de Goiás reuniu as forças de segurança para reforçar as ações no 1º turno
Um estudo divulgado na quarta-feira (30/9) pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global aponta que o Brasil registrou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026. As mulheres foram vítimas de 50,6% dos episódios.
Em Goiânia, a deputada federal e candidata à reeleição Adriana Accorsi (PT) publicou um vídeo de uma discussão ocorrida durante uma agenda de campanha no domingo (27), uma semana antes do primeiro turno, marcado para este domingo (4).
Durante a agenda de campanha de Adriana na Feira do Jardim Vera Cruz, imagens publicadas pela deputada nas redes sociais mostram um homem com um adesivo da campanha do candidato a deputado federal Felipe Cecílio (PSDB) discutindo durante a passagem da comitiva de Adriana. Os dados do estudo são nacionais e não apresentam recorte específico para Goiás ou Goiânia.
Mulheres são maioria entre vítimas
Em 2025, ano em que não houve eleições, as organizações registraram 225 casos de violência política. O levantamento está na quarta edição, e os dados referentes à campanha do primeiro turno serão divulgados na próxima semana. As mulheres representaram 50,6% das vítimas dos episódios registrados, embora ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas do País, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As mulheres são 58,3% das vítimas de violência simbólica, que reúne ameaças e ofensas. Já os homens representaram 77,2% das vítimas de violência física, que inclui agressões, atentados e assassinatos. Todos os 31 casos de ameaça de violência sexual e os 67 episódios com conotação sexual ou comentários sobre corpo e aparência tiveram mulheres como vítimas.
Das 32 pessoas que sofreram ataques repetidos durante o período analisado, 23 eram mulheres. Entre as 179 mulheres atingidas, 64 eram pretas. Mulheres pretas foram vítimas em 64 dos 84 episódios registrados contra pessoas pretas.
Em 64 episódios, o agressor tinha mandato eletivo ou ocupava cargo público. Policiais e outros agentes do Estado foram apontados como autores de 29,9% das agressões. Dos 354 casos registrados, 300 tiveram denúncia formal ou pública. Outros 46 têm apuração judicial ou policial em andamento, enquanto nove resultaram em punição dos responsáveis.
Segurança para o primeiro turno
O primeiro turno ocorre em 246 municípios e 92 zonas eleitorais de Goiás. A Secretaria de Estado da Segurança Pública coordena uma operação integrada com ações de prevenção, monitoramento e resposta a ocorrências. Todo o efetivo da Polícia Militar será empregado no dia da votação, com a distribuição definida a partir da análise de risco de cada região.
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) reuniu as forças de segurança do Estado em 10 de setembro, no auditório da sede do tribunal, para alinhar as ações para as eleições. A desembargadora Elizabeth Maria da Silva preside o Tribunal e conduziu a reunião ao lado do desembargador Gerson Santana Cintra, presidente da Comissão Permanente de Segurança do TRE-GO.
Participaram do encontro representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Guarda Civil Metropolitana de Goiânia e o procurador regional eleitoral Éverton Pereira Aguiar Araújo.
O TRE-GO informou que mapeou todas as zonas eleitorais do Estado para identificar vulnerabilidades, avaliar as condições de segurança dos cartórios e dos locais de votação e antecipar possíveis problemas antes do primeiro turno.
PM reforça policiamento em seis municípios
O 2º Comando Regional da Polícia Militar de Goiás finalizou o planejamento para as eleições em seis municípios, segundo a assessoria de comunicação do próprio comando. A área reúne 496.374 eleitores aptos e 159 locais de votação em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia, Bonfinópolis e Caldazinha.
O policiamento foi estruturado com base em dados demográficos e no número de eleitores. Haverá equipes em todos os locais de votação. Dos 159 locais, 19 têm mais de 5 mil eleitores cada e receberão atenção redobrada, com segurança intensificada nas proximidades e nas principais vias de acesso.
Segundo o comando, o objetivo é coibir crimes eleitorais e garantir a livre circulação de pessoas e veículos. Aparecida de Goiânia concentra 341.027 eleitores e 105 locais de votação, dos quais 13 têm mais de 5 mil eleitores. Senador Canedo tem o segundo maior eleitorado da área, com 95.323 eleitores e 27 locais de votação.
Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme informado pelo comando da Polícia Militar.
53 cidades de Goiás terão restrições nas eleições
Pelo menos 53 municípios de Goiás terão restrições para a comercialização de bebidas alcoólicas durante o primeiro turno das Eleições de 2026, no próximo domingo (4). As medidas foram adotadas de forma autônoma por juízes das respectivas zonas eleitorais, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
Cada comarca possui independência para elaborar as próprias portarias. Por isso, os horários e a abrangência das proibições variam de acordo com o município. Em algumas cidades, a restrição é voltada exclusivamente para a venda de bebidas em estabelecimentos como bares, distribuidoras e supermercados. Em outras, a medida também proíbe a distribuição e o consumo em locais e vias públicas.
Entre os municípios com restrição estão Acreúna, Água Limpa, Alto Horizonte, Aurilândia, Barro Alto, Buriti Alegre, Cabeceiras, Cachoeira de Goiás, Campestre de Goiás, Campinorte, Campos Verdes, Cezarina, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Corumbaíba, Cristalina, Crixás, Edealina, Edéia, Firminópolis, Flores de Goiás, Formosa, Goianésia, Indiara, Ivolândia, Jandaia, Minaçu, Moiporá, Nazário, Niquelândia, Nova Iguaçu de Goiás, Orizona, Palmeiras de Goiás, Palmelo, Palminópolis, Paraúna, Pirenópolis, Pires do Rio, Santa Bárbara de Goiás e Santa Rita do Novo Destino.
A determinação tem como base o artigo 139 do Código Eleitoral, instituído pela Lei nº 4.737, de 1965. O dispositivo confere poder de polícia à Justiça Eleitoral para assegurar a ordem e a tranquilidade durante a votação.
Segundo o TRE-GO, Goiânia e Anápolis, dois dos maiores colégios eleitorais do Estado, não editaram atos normativos com restrição geral à venda e ao consumo de bebidas alcoólicas para o pleito.
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