Campanha eleitoral em Goiás chega à reta final com baixa mobilização
Especialistas apontam dificuldade das campanhas para ganhar tração, menor presença nas ruas e excesso de atenção a crises políticas como fatores
Na véspera da eleição, as campanhas em Goiás chegam nos instantes finais sem produzir o mesmo nível de mobilização nas ruas de outros ciclos eleitorais. Comícios, carreatas e atos públicos tiveram presença mais discreta ao longo da disputa, enquanto as principais candidaturas enfrentaram dificuldades para transformar a corrida pelo Palácio das Esmeraldas em um movimento de mobilização do eleitorado.
Porém, o cenário posto não significa que o eleitor goiano tenha deixado de discutir política. Para cientistas políticos ouvidos pelo O HOJE, há uma diferença entre o interesse pelo processo eleitoral e a disposição para participar presencialmente das atividades de campanha.
“A mobilização de rua está bem menor. Mas uma coisa é a mobilização de rua, outra coisa é a discussão política. Há um cansaço. As pessoas estão interessadas, conversando sobre política com suas famílias, no ciclo de trabalho, mas a mobilização é menor. De fato as campanhas estão mais mornas”, afirma o professor da PUC-GO e cientista político Pedro Pietrafesa.
Em Goiás, um dos fatores apontados para explicar o cenário é a dificuldade de algumas candidaturas para ganhar tração durante a campanha. O especialista em marketing político Marcos Marinho avalia que o governador Daniel Vilela (MDB) partiu de uma condição diferente dos principais adversários por contar com uma estrutura política construída ainda pelo ex-governador e candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD).
Na avaliação de Marinho, os demais projetos tiveram dificuldades distintas para consolidar suas campanhas. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) iniciou a disputa com uma estrutura mais restrita do que aquela que o acompanhou nas eleições anteriores. Já o senador Wilder Morais (PL) enfrentou um período de menor tração até a campanha ganhar corpo.
O cenário também atingiu a oposição de esquerda. A definição do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como candidato do PT ao governo ocorreu apenas próximo ao início do período eleitoral, o que reduziu o tempo para a estruturação do projeto.
Para Marinho, a dificuldade de diferentes candidaturas em se consolidar teve efeito sobre toda a estrutura eleitoral. “Você tem campanhas majoritárias que tiveram dificuldade de se provar e de fato começar a tracionar o processo e isso impacta as outras campanhas, chapas, impacta os grupos que fazem parte desses coletivos”, avalia.
Outro elemento apontado pelo especialista é a estratégia adotada pelas campanhas. De acordo com Marinho, houve uma aposta significativa nas redes sociais, que foram afetadas por mudanças na distribuição de conteúdo. As campanhas não teriam conseguido compensar a perda de exposição com presença nas ruas.
“Faltou dinheiro para alguns, faltou estrutura para outros, faltou liderança para a maioria, e faltou estratégia correta para que de fato pudesse engrenar e atrair a atenção da população”, resume Marinho.
Disputa pela atenção
A menor mobilização também ocorre em um ambiente marcado por crises que ocuparam espaço no noticiário durante o período eleitoral. As discussões que envolvem o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Master se somaram a outros episódios com suspeitas contra políticos e instituições.
Para Marinho, as crises contribuíram mais na retirada de espaço das campanhas na disputa pela atenção pública do que na mudança de voto. “Não acredito que nem a questão do Banco Master, nem os problemas no STF, motivou a demover o voto de algum dos candidatos”, afirma. Para o especialista o efeito estaria mais relacionado à atenção, já que o eleitor já convive com uma percepção de desgaste das instituições públicas.
“Teve muito assunto envolvendo o Judiciário que ocupou espaço de veiculação de mensagens políticas, de mensagens dos candidatos. Quando você tem muita polêmica vindo de um polo, naturalmente o olhar do cidadão que está às vezes olhando uma timeline ou às vezes recebendo conteúdos vai ser direcionado para esse polo”, pontua Marinho.
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