Você sabe qual o papel do geriatra? Especialista esclarece dúvidas sobre essa especialidade
Censo de 2022 aponta que população com mais de 60 anos cresceu 56% desde 2010; médico goiano explica quando a geriatria pode substituir outros especialistas e quando o acompanhamento conjunto é necessário
O Brasil envelhece em ritmo acelerado e a medicina acompanha essa transformação. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que a população com mais de 60 anos chegou a 32,1 milhões de pessoas, um crescimento de 56% em relação a 2010. Esse grupo representa 15,6% dos brasileiros.
Para acompanhar essa demanda, o número de geriatras no país também cresceu. Pesquisa da Demografia Médica Brasileira 2025, do Conselho Federal de Medicina e da USP, indica que existem 3.167 geriatras no Brasil, contra 662 em 2011, um aumento de 378,4% em 14 anos. Ainda assim, a proporção é de apenas 1,49 especialistas por 100 mil habitantes.
O geriatra Matheus Sihnel, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que a especialidade vai além do tratamento de doenças. “É um segmento imprescindível para promoção do envelhecimento saudável, prevenir o declínio funcional e no manejo de múltiplas comorbidades, muitas vezes funcionando como um ponto de equilíbrio entre diversas intervenções”, pontua.
A geriatria substitui outros especialistas?
Uma dúvida frequente é se o geriatra pode assumir o lugar de outros médicos. Para Sihnel, depende de cada caso. Na maior parte dos pacientes, a especialidade pode assumir boa parte dos cuidados clínicos. “Em alguns casos específicos, o acompanhamento conjunto com outras especialidades é imprescindível, como por exemplo, no caso do apoio de nefrologista em pacientes em hemodiálise ou da cardiologia na indicação da intervenção em um caso de coronariopatia grave”, exemplifica.
Os idosos que mais se beneficiam do acompanhamento geriátrico combinado com outros especialistas são os mais frágeis, com múltiplas comorbidades. “Os que vêm passando por prescrições extensas e muitas vezes apresentando benefício muito limitado ou até mesmo efeitos adversos diante das intervenções de vários profissionais”, afirma o médico.
Sobre a frequência das consultas, Sihnel é claro: o acompanhamento deve ser sempre individualizado. “Os idosos mais hígidos e com comorbidades controladas podem ser acompanhados semestralmente ou anualmente. Todavia, pacientes mais frágeis e com comorbidades descompensadas podem ter a necessidade de avaliações trimestrais ou até mensais”, orienta.
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