Empreendimentos preservam até 3 vezes mais área verde que o exigido
Em Goiás, empreendimento em Alexânia mantém 59% da área com vegetação, bem acima dos 20% previstos para Reserva Legal fora da Amazônia Legal
Preservar mais do que a legislação exige tem ganhado espaço no mercado imobiliário, impulsionado pela busca por qualidade de vida, contato com a natureza e valorização dos empreendimentos.
Fora da Amazônia Legal, incluindo Goiás e o Distrito Federal, a Lei nº 12.651/2012 estabelece que imóveis rurais mantenham 20% de cobertura de vegetação nativa como Reserva Legal. Há, porém, iniciativas que ultrapassam esse percentual.
Um exemplo está em Alexânia, no Entorno do Distrito Federal, onde o Laguna Magnólia mantém 59% da área destinada a áreas verdes, o equivalente a mais de 485 mil metros quadrados, principalmente de mata nativa preservada.
Segundo Rômulo Mendonça, fundador do empreendimento e profissional do setor de incorporação imobiliária, a proposta é ir além do cumprimento da legislação.
“O objetivo é ir além de cumprir a lei e colocar em prática o conceito de morar dentro da natureza, e não apenas ao lado dela. Isso proporciona, diretamente, melhor qualidade de vida, microclima mais ameno e conforto acústico, além de valorização imobiliária”, explica.
Natureza como aliada da qualidade de vida
A relação entre áreas verdes e qualidade de vida também aparece em pesquisas acadêmicas citadas pelos especialistas. Um estudo da Universidade de Exeter, na Inglaterra, com 20 mil pessoas, apontou melhora na saúde e no bem-estar entre aqueles que tinham contato com a natureza por pelo menos duas horas por semana.
Pesquisas das universidades de Derby, na Inglaterra, e Louisville, nos Estados Unidos, também apontaram benefícios relacionados à ansiedade, doenças cardíacas e respiratórias, níveis de cortisol e controle da diabetes.
Para Thiago Boaventura, especialista em Gerenciamento de Projetos e Gestão de Negócios pela FGV, a busca por espaços naturais está relacionada à rotina cada vez mais intensa das cidades.
“Em médias e grandes cidades, as pessoas lidam com falta de tempo, trânsito intenso e muitas exigências na vida pessoal e profissional, podendo até adoecer. Para ter uma válvula de escape e mais qualidade de vida, buscam se reconectar com a natureza, o que se reflete na procura por empreendimentos que entregam essa característica”, analisa.
Preservação também ajuda a manter biodiversidade
Além da qualidade de vida, a manutenção de grandes áreas de vegetação tem impacto ambiental. A Fazenda Magnólia, onde está localizado o Laguna Magnólia, fica em uma área de transição do Cerrado e abriga espécies como pequi, baru, jatobá, cagaita e ipê.
A propriedade também faz divisa com o Rio Areias, que deságua no Lago Corumbá IV.
Segundo Rômulo Mendonça, a região abriga ainda espécies da fauna do Cerrado, como araras, tucanos e tamanduás.
“Além da flora, essa é uma área com rica biodiversidade de fauna, onde vivem araras, tucanos, tamanduás e mais espécies típicas do Cerrado. Manter 59% do território com áreas verdes significa conservar esse corredor ecológico ativo”, ressalta.
Além das áreas de preservação permanente, Reserva Legal e licenciamento ambiental, o empreendimento adota medidas de uso controlado de áreas como a lagoa privativa, o Rio Areias e o Lago Corumbá IV.
Também há ações de conscientização para o descarte correto de resíduos, pesca consciente e orientação para que os visitantes não alimentem animais silvestres.
Sustentabilidade vai além das áreas verdes
A proposta de sustentabilidade também envolve medidas de infraestrutura e tecnologia. Entre as iniciativas citadas estão estudos de drenagem de águas pluviais, realizados com base em um histórico de mais de dez anos de chuvas, para reduzir riscos de erosão e assoreamento do Lago Corumbá IV.
O empreendimento também utiliza sistema de reaproveitamento da água da chuva e irrigação inteligente.
Na área de energia e materiais, são utilizados iluminação de LED, sensores de presença e materiais considerados de menor impacto ambiental. Na mobilidade, as pistas de caminhada foram planejadas respeitando a topografia natural para reduzir a movimentação de terra.
Também são realizadas ações como plantio de mudas nativas e limpeza das margens da lagoa.
“A preservação da natureza é o pilar, mas tudo tem que funcionar de maneira sistêmica. São medidas que reduzem custos de manutenção e criam uma cultura de cuidado”, resume Mendonça.
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