Celina assumiu o pior cenário do País e será reeleita por resolver
Assim como na interinidade de 2023, a governadora caminha para obter 1 milhão de votos com gestão de entregas, mas encontrou o GDF à beira da intervenção em seu principal ativo, o BRB, com autoridades federais confundindo-a com a turma que saía e confundindo-se acerca de quem deveria pagar por malfeitorias de que o banco é vítima há décadas
Nada na vida de Celina Leão (PP) cai do céu – nem chuva, que cai das nuvens e ela é muito pé no chão. Sua posse foi a 10ª de chefes do Executivo do Distrito Federal em 20 anos (no mesmo período, a Bahia teve três) e, de seus nove antecessores, sete foram miniaturas de um atraso descomunal – e mesmo os de algum sucesso administrativo, José Roberto Arruda (PSDB) e Ibaneis Rocha (MDB), estão sem direitos políticos, o 1º, ou a caminho de os perder. Como gestora da Câmara Legislativa, assumiu um poder desgastado. Na experiência seguinte, teve de substituir Ibaneis logo após o início do mandato, também num sufoco de quem cai do B-2 Spirit em cima de um trem-bala. Ficou em definitivo no comando do GDF quando o caso Master, com o qual tinha exatamente nada, ganhava as manchetes com o BRB.
Em Goiás, que deu origem a Brasília e a Celina, a família Leão era conhecida pela matriarca Maria Célia Leão, do grupo político de dois governadores, Henrique Santillo, de Goiás (1987-1990), e seu vice, Joaquim Roriz, que nesse período assumiu como interventor de Goiânia, pois a Câmara Municipal afastou o prefeito Daniel Antônio e seu vice, Pedrinho Ludovico, havia se suicidado. Com Maria Célia na equipe, Roriz viria a exercer a chefia do GDF por quatro mandatos. Celina seguiu cada passo da mãe. Assim como Maria Célia organizou mais de 180 diretórios do PMDB Mulher, Celina organizou para Roriz a força jovem. Teve cargos na estrutura do Legislativo e do Executivo de Brasília, passou para a Câmara dos Deputados e era forte candidata a governadora quando Ibaneis a escolheu para vice.
Celina está fazendo uma gestão redondinha
Mesmo com esse cabedal, e já calejada pelas críticas de opositores desde que ocupou cargos no gabinete de Jaqueline Roriz na CLDF, Celina chegou pela 2ª vez a piloto cheia de planos de um barco que vai muito além do Lago Paranoá. Assim como na interinidade de 2023, a governadora está fazendo uma gestão redondinha, mas o quadradinho que encontrou estava à beira da intervenção em seu principal ativo, o BRB, com autoridades federais confundindo-a com a turma que saía e confundindo-se acerca de quem deveria pagar por malfeitorias de que o banco é vítima há décadas. Pelo que mostram as pesquisas, será reeleita para continuar resolvendo, inclusive, parte da saúde pública de Goiás, a dos habitantes do Entorno de Brasília.
Entre as muitas decisões atabalhoadas do ministro Alexandre de Moraes está o afastamento de Ibaneis do GDF apenas porque no fatídico 8 de janeiro de 2023 era um domingo e o governador estava tirando a tradicional soneca depois de lauto almoço certamente regado a vinho de boa qualidade. Forças policiais tentaram localizá-lo e ele não tinha como falar ao telefone – nenhum aparelho, por mais moderno que seja, permite conversa com alguém que esteja dormindo, mesmo se for sonâmbulo. Por esse grave “crime”, Ibaneis foi punido com 90 dias longe do Executivo, a partir de 9 de janeiro. A injustiça era tamanha que Moraes o recolocou no cargo após 66 dias fora. Nos mais de dois meses, Celina foi absolutamente fiel a Ibaneis, como se espera de alguém que é de grupo, coisa que ela aprendeu com Maria Célia e Joaquim Roriz.
Brasil estava em polvorosa e Brasília era pólvora pura
Quando Celina assumiu novamente o GDF, em 30 de março deste ano, o Brasil estava em polvorosa e Brasília era pólvora pura. Nas 48 horas anteriores, a tensão era total. No dia 28, O HOJE e grande parte da imprensa de todo o País noticiaram a bomba atômica que quebrou as pernas de Ibaneis: o BRB escapou de comprar o Master inteiro, mas concordara em desembolsar R$ 2 bilhões por 58% do banco de Daniel Vorcaro. A esquerda pedia cadeia para Ibaneis e intervenção do governo federal para impedir a posse de Celina, duas medidas sem respaldo político nem jurídico, além de desligadas da realidade, apesar de caras ao PT.
Celina inicialmente travou batalha com quem deseja fechar também o BRB

Desde então, o PT não descansa, dedica-se integralmente a tentar envolver Celina no escândalo do Master. Não conseguiu. E o motivo é simples: ela realmente nada tem a ver com o caso
A administração de Ibaneis estava aparvalhada desde o início da tarde do 18 de novembro anterior, quando o Banco Central publicou a seguinte nota: “O Banco Central decretou hoje, 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, bem como Regime Especial de Administração Temporária (RAET) do Banco Master Múltiplo S/A, instituições integrantes do Conglomerado Master”. E anunciou quanto as empresas de Vorcaro tinham em caixa para honrar os depósitos de seus clientes: “0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional”. O homem que contratava advogados por centenas de milhões para fazer nada agora não tinha como honrar compromissos mínimos.
Na noite anterior, Vorcaro havia sido preso quando embarcava para Dubai no jatinho Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, sim, pode checar no Google ou no ChatGPT: é o mesmo que tinha em sociedade com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de você sabe quem. Em Brasília, poucos tinham dúvidas dos efeitos no GDF. E foram paralisantes. Foi o pior Natal da história recente da política candanga. Desde então, o PT não descansa, dedica-se integralmente a tentar envolver Celina no escândalo do Master. Não conseguiu. E o motivo é simples: ela realmente nada tem a ver com o caso.
Ideia dos petistas era inviabilizar o governo
Mostrando uma habilidade fora do comum, Celina inicialmente travou batalha com quem deseja fechar também o BRB, um patrimônio do povo de Brasília. A ideia dos petistas era inviabilizar administrativamente um governo que não conseguiram derrubar juridicamente. Ocorreu o contrário: ela se fortaleceu, inclusive negociando com o Governo Federal, manteve sua aliança com Michelle Bolsonaro e foi em frente. Ibaneis desistiu de concorrer ao Senado e ela fez uma chapa com mulheres: além dela e Michelle, outra estrela do PL, as manchetes contrárias não tiveram sequer espaço, pois para cada intenção de espinafrar seu mandato aparecem dez notícias de entregas nas mais diversas áreas das realizações.
O resultado aparece nas ruas diariamente e, no 1º domingo deste mês, emergiu das urnas: Celina obteve 825.530 votos, 49,93%, com mais 168 teria liquidado a disputa no 1º turno. Foi um livramento: livrou-se de bater de pouco. Agora, mesmo enfrentando uma campanha suja em que adversários demonizam até santinho, deve obter 1 milhão de votos.
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