Celina Leão defende adiamento de balanço do BRB e diz que publicação depende de empréstimo de R$ 6 bilhões
Candidata ao governo do DF nega motivação eleitoral na decisão e diz que banco busca aval federal para empréstimo; privatização da instituição está descartada
A candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF), Celina Leão, defendeu, durante entrevista ao DF2, da TV Globo, a decisão de não publicar o balanço contábil do Banco de Brasília (BRB). Segundo ela, a divulgação deve ocorrer após a obtenção de um empréstimo de R$ 6 bilhões, que, na avaliação da candidata, daria melhores condições para a recuperação financeira da instituição.
Questionada sobre a falta de informações oficiais a respeito do tamanho do prejuízo do banco e sobre a possibilidade de a ausência de transparência prejudicar sua candidatura, Celina negou que a decisão tenha motivação eleitoral. Ela afirmou que a publicação do balanço não deve estar vinculada ao calendário das eleições, mas às condições financeiras do BRB.
“O balanço financeiro está atrelado ao empréstimo, que nós queremos publicar já com empréstimo, porque isso dá uma condição ao banco de recuperação muito maior”, declarou.
Durante a entrevista, a candidata afirmou que o banco já apresentou informações sobre suas necessidades financeiras para viabilizar a operação de crédito, embora esses dados não tenham sido divulgados como balanço contábil oficial. Segundo ela, a publicação sem uma solução financeira poderia agravar a situação da instituição.
Celina também criticou políticos que cobram a divulgação do documento e afirmou que parte das cobranças tem motivação política. A candidata, no entanto, reconheceu a necessidade de transparência na condução da crise.
Empréstimo e recuperação de recursos
Ao ser questionada sobre o impacto da falta de dados oficiais na desconfiança em torno do banco, Celina afirmou que o valor solicitado para o empréstimo é de R$ 6 bilhões, com prazo de pagamento de 15 anos. Segundo ela, o próprio BRB será responsável por quitar a operação.
A candidata também mencionou iniciativas para recuperar recursos relacionados às operações com o Banco Master. Entre os valores citados, destacou R$ 9 bilhões referentes à Credcesta, crédito adquirido pelo BRB, que, segundo sua declaração, está atualmente sob responsabilidade do liquidante.
Celina afirmou ainda que há cerca de R$ 3 bilhões em prejuízos já identificados em ativos relacionados à Terreno. Ela disse que busca a separação dos títulos considerados sem valor daqueles que ainda poderiam representar ativos recuperáveis para o banco.
A candidata também mencionou a possibilidade de recuperar recursos por meio de medidas judiciais e de valores que estariam sob responsabilidade do liquidante. As afirmações foram apresentadas durante a entrevista, sem detalhamento documental dos valores.
Aval federal e alternativa internacional
Sobre as alternativas para enfrentar a crise, Celina afirmou que o governo busca aval federal para viabilizar o empréstimo. Ela manifestou a expectativa de que o cenário político após as eleições possa facilitar as negociações com o governo federal.
Ao comentar a possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro, a candidata disse que considera que o aval poderia ser obtido com mais facilidade. Também afirmou que o governo trabalha em uma segunda alternativa: um empréstimo internacional, com valores, taxas e prazo semelhantes aos da operação pretendida inicialmente.
Ao final, Celina destacou que uma das prioridades de sua gestão é evitar a privatização do BRB. “O que a gente tem evitado é que esse banco seja privatizado, para que ele continue sendo público”, afirmou.
A crise do BRB e a ausência de divulgação do balanço contábil foram temas centrais da entrevista, com questionamentos sobre a transparência das informações financeiras, a dimensão dos prejuízos e as medidas previstas para recuperar a instituição.
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