Trombose pode ocorrer em jovens e nem sempre dá sinais claros; cirurgiã vascular explica os riscos
Especialista alerta que inchaço e dor repentinos em uma das pernas merecem avaliação médica imediata e que a prevenção precisa ser individualizada
A trombose costuma ser lembrada quando uma perna incha ou começa a doer de repente. O problema é que nem sempre ela dá sinais tão evidentes. Um coágulo pode se formar dentro de um vaso sanguíneo, dificultar a circulação e evoluir antes que a pessoa associe o desconforto a algo que exige avaliação médica. Por isso, conhecer os próprios fatores de risco é tão importante quanto reconhecer os sintomas quando eles aparecem.
A forma mais frequente é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente acomete as veias profundas das pernas. Ela pode ocorrer em diferentes idades e não está restrita a pessoas mais velhas. Imobilidade prolongada, cirurgias recentes, histórico pessoal ou familiar da doença, obesidade, tabagismo, gestação, uso de determinados hormônios e condições que favorecem a coagulação estão entre os fatores associados.
“É importante desmistificar a ideia de que trombose é uma doença exclusivamente relacionada à idade. Embora o risco aumente com o envelhecimento, pessoas jovens também podem desenvolver a condição quando existem fatores predisponentes. Por isso, conhecer os próprios fatores de risco e manter hábitos saudáveis são medidas fundamentais”, explica a cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada.
O alerta ganhou visibilidade na última terça-feira (13), Dia Mundial da Trombose, mas diz respeito a situações presentes na rotina durante todo o ano. Permanecer muitas horas sem se movimentar, enfrentar períodos de recuperação após uma cirurgia ou já ter apresentado um episódio da doença são circunstâncias que exigem atenção diferente daquela de quem não reúne os mesmos fatores de risco.
O que observar
Quando aparecem, os sinais da trombose venosa profunda costumam se concentrar em uma das pernas. Inchaço, dor de início súbito, sensação de peso, aumento da temperatura e alteração na coloração estão entre as manifestações descritas. Nem todos os pacientes, porém, apresentam esse conjunto de sintomas, o que pode retardar a procura por atendimento.
Tatiana chama atenção especialmente para mudanças inesperadas. “Inchaço e dor que surgem de maneira inesperada, principalmente em apenas uma das pernas, merecem atenção. Não é recomendado massagear a região ou utilizar medicamentos por conta própria. A avaliação médica é essencial para confirmar ou descartar a trombose e iniciar o tratamento adequado o quanto antes”, finaliza.
Uma das complicações possíveis ocorre quando o coágulo se desprende e alcança os pulmões, provocando embolia pulmonar. Nesses casos, podem surgir falta de ar súbita, dor no peito e aceleração dos batimentos cardíacos. A possibilidade de complicação ajuda a explicar por que uma alteração aparentemente localizada na perna não deve ser ignorada.
Risco não é igual para todos
Não existe uma única recomendação que sirva da mesma maneira para todas as pessoas. Atividade física regular, interrupção de longos períodos na mesma posição, controle do peso e abandono do cigarro estão entre os cuidados gerais. Já pacientes que passarão por cirurgia, permanecerão imobilizados por muito tempo ou têm histórico de trombose podem precisar de medidas específicas definidas em acompanhamento médico.
“A prevenção precisa ser individualizada. Uma pessoa que já teve trombose, por exemplo, possui um perfil de risco diferente de alguém sem histórico da doença. Por isso, é importante conversar com um especialista para identificar os fatores de risco e definir quais cuidados são realmente necessários para cada caso”, ressalta a médica.
Quando o diagnóstico é confirmado, o tratamento leva em conta a localização do coágulo, a extensão do quadro e as condições de saúde do paciente. Na TVP, anticoagulantes estão entre os recursos mais utilizados para impedir o aumento do coágulo e reduzir o risco de novas formações. Outras intervenções podem ser indicadas em situações específicas.
O ponto central está menos em esperar um sintoma clássico e mais em entender quando o próprio contexto aumenta o risco. A trombose pode aparecer em quem é jovem, pode não produzir sinais claros e pode exigir cuidados diferentes de uma pessoa para outra. Nesse cenário, histórico, rotina e mudanças repentinas no corpo passam a fazer parte da mesma atenção.
LEIA MAIS:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.