TSE cobra explicações da Meta sobre diferença na geração de imagens de Lula e Flávio
Ministro Kassio Nunes Marques se reúne com representantes da plataforma após denúncias de tratamento desigual da inteligência artificial durante a campanha eleitoral
O uso de ferramentas de inteligência artificial na disputa presidencial de 2026 entrou na pauta da Justiça Eleitoral. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reuniu-se nesta quinta-feira (15) com representantes da Meta para discutir relatos de que a IA da empresa apresenta comportamentos diferentes ao receber solicitações relacionadas aos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
As reclamações foram levadas à Corte pela campanha de Lula. Segundo os relatos, a ferramenta conseguia produzir imagens favoráveis a Flávio Bolsonaro, inclusive associando o candidato ao número 22, mas não apresentava o mesmo resultado quando o pedido envolvia o presidente, identificado pelo número 13. O encontro teve como objetivo tratar das falhas apontadas e das medidas adotadas pela empresa diante do questionamento.
A Meta informou que restringiu a geração de imagens de candidatos em cumprimento às normas eleitorais brasileiras. Em manifestação enviada ao Metrópoles na quarta-feira (14), a companhia afirmou que a decisão busca impedir a produção de representações de concorrentes à eleição. A empresa também declarou ter adotado medidas adicionais para evitar que solicitações com o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números de urna resultem em imagens.
Apesar da explicação, a plataforma não havia esclarecido por que a ferramenta teria permitido a criação de imagens relacionadas a Flávio Bolsonaro enquanto recusava pedidos semelhantes envolvendo Lula. A diferença de comportamento relatada passou a ser o ponto central da controvérsia, que envolve a atuação de sistemas automatizados em um período de intensa disputa política.
A empresa sustentou que as medidas fazem parte do cumprimento das regras eleitorais do Brasil. Em nota, afirmou: “Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.
O episódio ocorre na reta final do segundo turno e amplia a discussão sobre a responsabilidade das plataformas digitais na aplicação de regras eleitorais. A questão apresentada à Justiça não se limita à possibilidade de criar imagens políticas com inteligência artificial, mas também envolve a uniformidade dos critérios utilizados pelas ferramentas quando os pedidos dizem respeito a diferentes candidaturas.
Após o questionamento formal da Justiça Eleitoral, representantes da Meta apresentaram justificativas técnicas e informaram providências para corrigir o problema. A empresa também afirmou que mantém iniciativas de cooperação com o TSE para combater conteúdos fraudulentos e contribuir para a circulação de informações confiáveis durante o processo eleitoral.
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