Conab projeta colheita de 35,9 mi de toneladas de grãos na safra 2026/2027 em Goiás
Crescimento pode ser puxado pelo melhor aproveitamento do solo e pela produção de milho
A produção de grãos em Goiás deve alcançar a marca de 35,9 milhões de toneladas na safra 2026/2027, o que representa um salto de 7,8% em relação ao ciclo anterior. O avanço goiano acompanha o ritmo de crescimento nacional apresentado no 1º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na última quinta-feira (15), que projeta uma safra brasileira superior a 367 milhões de toneladas.
Essa expectativa vem acompanhada de outro levantamento divulgado pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), que mostrou que a agropecuária foi o único segmento da cadeia produtiva a ampliar a sua fatia no agronegócio goiano na última década. Com um crescimento real acumulado de 55,9% entre 2012 e 2023, o trabalho de cultivo e criação animal responde hoje por R$ 50,8 bilhões.
Expansão sem desmatamento
Os dados da Conab mostram que a área plantada em Goiás deve crescer 1,9% nesta safra, atingindo 8,12 milhões de hectares. No entanto, o aumento da produção não significa avanço sobre a vegetação nativa do Cerrado. A expansão ocorre de forma estratégica por meio da conversão de áreas que já eram utilizadas, mas estavam subaproveitadas.
O assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Lucas Lopes, explica que o Estado apresenta condições ideais para a recuperação produtiva do solo, a partir de práticas de recuperação de pastagens degradadas, com destaque para a região do Vale do Araguaia. “O processo representa uma oportunidade estratégica, pois permite ampliar a produção de grãos sem que o crescimento da atividade agrícola dependa da abertura de novas áreas de vegetação nativa do Cerrado. A adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária, a correção da fertilidade do solo e a utilização de tecnologias de manejo contribuem para elevar a produtividade e melhorar a eficiência do uso da terra”, detalha.
Calor do El Niño
O Painel do El Niño alerta que o Centro-Oeste brasileiro enfrentará um cenário de calor extremo neste final de ano e no início de 2027, na contramão do Sul do país, que deve sofrer com enchentes. Para garantir que as altas temperaturas não impactem na expectativa de colher 4.422 quilos por hectare, uma alta de 5,8% na produtividade goiana, os produtores frearam o plantio aguardando o momento ideal.
De acordo com o levantamento da Conab, até o final de setembro, o plantio da primeira safra estava restrito a áreas irrigadas por pivô, como no município de Cristalina. No sequeiro, a semeadura aguardava a consolidação das chuvas. “Uma das principais estratégias de manejo é o planejamento do processo de semeadura, respeitando as condições de umidade no solo e buscando evitar o plantio diante de precipitações isoladas. Além disso, práticas como a manutenção da cobertura vegetal (palhada), o sistema de plantio direto e o escalonamento das épocas de semeadura contribuem para reduzir a exposição das lavouras aos riscos climáticos”, pontua Lucas.
Etanol de milho
Entre as culturas responsáveis por puxar a ampliação da safra goiana, o milho vem recebendo destaque, com a expansão da indústria de biocombustíveis. A Conab aponta que o aumento de área do milho é impulsionado pela ampliação da capacidade de esmagamento das usinas de etanol, que garantem aos agricultores forte demanda e preços atrativos no balcão.
Lucas Lopes ressalta que essa agroindustrialização blinda o produtor contra oscilações de preço e fortalece toda a economia local. “O avanço da indústria de etanol de milho contribui para agregar valor à produção agropecuária e reduzir parte da dependência da comercialização do grão exclusivamente como commodity. Além do etanol, o processamento industrial gera coprodutos utilizados na alimentação animal, fortalecendo a integração entre as cadeias de grãos, biocombustíveis e proteína animal”, comenta.
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