Flávio tem 79% contra 23% de Lula nas apostas do Polymarket
Cotação do mercado de previsão mudou ao longo da semana. Plataforma é proibida no Brasil, mas segue acessível em alguns canais
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas cotações do Polymarket para a eleição presidencial de 2026, mas a diferença diminuiu ao longo da semana. Nesta sexta-feira (16), o contrato relacionado à disputa pelo Planalto indicava 79% para Flávio e 23% para Lula, segundo os dados apresentados no material. Na quinta-feira (15), os percentuais eram de 81% e 19%, respectivamente.
Na segunda-feira (12), por volta das 16h30, a cotação apontava 87% para Flávio e 13% para Lula. Os números indicam uma mudança nas negociações da plataforma, mas não representam diretamente a intenção de voto dos brasileiros.
O Polymarket não é um instituto de pesquisa eleitoral. A plataforma funciona como um mercado de previsão, no qual usuários negociam contratos ligados à possibilidade de determinados acontecimentos, incluindo resultados eleitorais. As cotações variam conforme as negociações e o volume financeiro envolvido.
Plataforma é proibida no Brasil
Desde maio, uma portaria da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda restringe a operação de mercados de predição no Brasil. A norma permite apenas derivativos vinculados a eventos estritamente econômicos e financeiros e também alcança plataformas sediadas no exterior.
O bloqueio da Polymarket foi solicitado pela secretaria e encaminhado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por notificar prestadores de serviços de telecomunicações. Segundo o Ministério da Fazenda, a indisponibilidade dos endereços pode variar conforme o provedor de acesso.
Apesar da restrição, a plataforma continuou acessível em alguns canais. Uma verificação do Valor Investe identificou que o primeiro resultado exibido em uma busca pelo nome da empresa no Google levava diretamente ao contrato sobre a eleição presidencial.
Em fóruns do Reddit, usuários também relataram tentativas de contornar a restrição regional com redes virtuais privadas (VPNs) e criptomoedas. O Ministério da Fazenda afirma, porém, que a simples abertura da página não significa que seja possível realizar depósitos ou fechar apostas. A pasta diz monitorar tentativas de burlar as restrições.
Cotações foram divulgadas por perfis estrangeiros
A divulgação dos números do Polymarket também entrou no debate eleitoral. Em 20 de setembro, o perfil oficial da plataforma no X informou que Flávio havia alcançado 58% de probabilidade de vitória, a maior cotação registrada até então, segundo o material.
Um minuto depois, a empresa respondeu à publicação com um link para o contrato de apostas, que continha o código de rastreamento “via=x-afr2”. A cotação foi compartilhada por perfis estrangeiros, entre eles Geiger Capital, Visegrád24, Matt Gaetz, UHN Plus e EricLDaugh. Parte das publicações exibia o selo de parceria paga da rede social, conforme apuração da Revista Fórum.
Segundo levantamento da agência Aos Fatos citado pela revista, pelo menos 11 perfis estrangeiros publicaram sobre o desempenho de Flávio no mercado entre 18 e 21 de setembro com o mesmo identificador. Cinco dessas contas aparecem em uma representação do Partido Missão contra o X Brasil no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob relatoria do ministro André Mendonça.
Em 21 de setembro, Flávio compartilhou nos Stories do Instagram um gráfico da plataforma. No dia seguinte, a Secretaria de Prêmios e Apostas solicitou a retirada do perfil brasileiro da Polymarket na rede social, que deixou de estar disponível.
Investimento e divulgação nas redes
A apuração da Revista Fórum também informa que a Polymarket recebeu investimento do fundo 1789 Capital, associado a Donald Trump Jr., que integra o conselho consultivo da empresa desde agosto de 2025.
O diretor de marketing da plataforma, Matthew Modabber, enviou mais de US$ 2,5 milhões a mais de 800 pessoas por meio de sua conta no PayPal. A companhia classifica parcerias com influenciadores como uma prática padrão.
A legislação eleitoral brasileira restringe a propaganda eleitoral paga na internet e proíbe o recebimento de recursos de entidades ou governos estrangeiros por candidatos e partidos, conforme as regras aplicáveis. O selo de parceria paga, por si só, não identifica quem financiou cada publicação nem comprova eventual irregularidade.
As cotações do Polymarket, portanto, devem ser interpretadas como indicadores das negociações dentro da plataforma, e não como pesquisas de intenção de voto ou previsões comprovadas do resultado das urnas.
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