Vitória de Lula implode chance de Goiás ter ministro e obras
Até Dilma fez mais pelo Estado do que o atual presidente em três mandatos e, se derrotar Flávio Bolsonaro, acaba a possibilidade de Caiado ou qualquer outro conterrâneo ter cargo de 1º escalão, além de duplicações como de Bela Vista até a divisa com Minas Gerais
A média de lançamento de três benefícios sociais por dia, dada a proximidade do 2º turno, deu uma sobrevida à tentativa de reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na tarde de sexta-feira (16), essa irresponsabilidade já estava em R$ 298,4 bilhões para 2027, segundo a Instituição Fiscal Independente, uma entidade do Senado. Enquanto esta análise é lida, o rombo passou de R$ 300 bilhões. Um dos efeitos é a dívida pública brasileira alcançar 82,9% do Produto Interno Bruto. Se apenas de juros ela custou ao País, no ano passado, mais de R$ 1 trilhão, é possível que dispare de vez. Será péssimo para a nação, particularmente para Goiás.
Com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), a expectativa é de um ministério ficar para o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Possivelmente, seria Segurança Pública, que seria apartado da Justiça. Nos três governos de Lula, o único goiano a chegar ao 1º escalão foi Henrique Meirelles, pois presidia o Banco Central quando seu cargo foi elevado ao status de ministro. Seu conterrâneo Olavo Noleto também assumiu pasta, mas apenas interinamente. Parou por aí. Nas agências e empresas públicas, apenas o médico Valdi Camarcio comandou a Fundação Nacional de Saúde, a superpoderosa Funasa, entre janeiro de 2003 e julho de 2005. Mais nada. Na transição de Jair Bolsonaro para agora, houve a conversa de a deputada federal Adriana Accorsi ser ministra da Segurança Pública. Lula dobrou o número de ministérios, mas acabou exatamente com aquele que Accorsi foi cotada para chefiar e que Flávio planeja ressuscitar.
Na verdade, o que o governo federal faz é no máximo liberar os cursos
Fala-se muito que Lula fez essas e aquelas instituições de ensino superior, como universidades e institutos federais. No entanto, se eles têm sede, é graças a emendas parlamentares, a aproveitar construções que já existiam ou a casos realmente curiosos. Na verdade, o que o governo federal faz é no máximo liberar os cursos. Em Uruaçu, no Norte de Goiás, a então prefeita Marisa dos Santos Araújo batalhou até conseguir a tal licença para implantar ali uma universidade pública. A bancada federal do Estado entrou na briga, junto com Marisa, até sair. Quando estava com a autorização, a prefeita foi avisada de que terminaria ali a boa vontade do Governo Lula.
Já que o Ministério da Educação estava alheio à sede para o IFG Uruaçu, Marisa teve de tomar uma atitude ousada e corajosa para a instituição sair do papel: ela simplesmente desocupou a prefeitura e entregou para as autoridades federais. Assim, se hoje existe o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás – Campus Uruaçu, que acaba de completar 18 anos, o mérito é de muita gente, sobretudo de Marisa, menos de Lula. No dia 21 de outubro, a quarta-feira anterior à eleição, será o 15º aniversário de morte de Marisa, que hoje dá nome à biblioteca do IFG Uruaçu. O desprezo do Governo Federal com o Estado de Goiás e com o Norte em particular foi um dos motivos do assassinato de Marisa. Quem a matou foi a BR-153, que Lula promete duplicar desde o início do século, parou em Anápolis e agora, depois de muita enrolação, está trabalhando em uns trechos. O acidente que tirou a vida de uma das grandes revelações da administração pública foi provocado pelo abandono do Governo Federal. Marisa é uma das milhares de vítimas da falta de duplicação das BRs.
Bancada de deputados e senadores se contenta com migalhas

Foto: Reprodução
Se o Governo Federal tomou o local de trabalho e, depois, virou corresponsável pela morte de Marisa, o mesmo ocorre com a saúde pública, a mineração, o ensino técnico e outras conquistas que passam longe daqui. A bancada de deputados e senadores se contenta com migalhas para reeleger prefeitos, nada para as obras estruturantes. A última grande obra feita em Goiás, federal ou estadual, foi a duplicação da BR-060, 400km de Goiânia a Jataí, passando por municípios importantes do agro, como Acreúna, Santa Helena e Rio Verde. Porém, nada a ver com Lula: quem fez foi Dilma Rousseff, que a bancada se juntou para tirar do mesmo jeito que se reúne para aplaudir Lula desde 2003.
Como o governo estadual está quebrado, repete o que faz o federal: tem 30 programas sociais e nenhuma obra de vulto desde a entrega do hospital Cora, às margens da mortífera BR-153. Para Lula reformar uma ponte no Rio Paranaíba, entre Goiás e Minas Gerais, foi a maior dificuldade. Reformar não é nem construir. Sobre o mesmo Paranaíba e na mesmíssima 153, há muitos anos é necessário fazer outra ponte, ligando Itumbiara (GO) e Araporã (MG). Na mesma divisa, só que no Sudeste do Estado, falta chegar a duplicação entre Catalão e Bela Vista de Goiás, pois no lado de Minas e até o Sul do País está tudo em quatro pistas, no mínimo. Os parlamentares que só gostam de emendas eleitoreiras nem se dignam a analisar a destinação de recursos para qualquer parte do Paranaíba e da 153. Como não é de seu próprio interesse, certamente Lula reeleito vai fazer como nos demais mandatos, nada para Goiás.
É assustador ter 14 de 17 congressistas vistos por Lula como seus aliados
A maioria dos deputados federais recém-eleitos é filiada a partidos políticos que estão na equipe de Lula: um do Podemos (Glaustin da Fokus), um do PP (Adriano do Baldy), um do Republicanos (Marussa Boldrin), um do PRD (Lucas Calil), dois do seu PT (Adriana Accorsi e Rubens Otoni), dois do MDB (Célio Silveira e Flávia Morais), dois do PSD (Lucas do Vale e Daniel Agrobom) e três do União Brasil (Bruno Peixoto, José Nelto e Silvye Alves). Não necessariamente a filiação obriga o parlamentar a votar com o governo só por pertencer a sua base, e esses vencedores de 4 de outubro ganharam votos fazendo em Goiás o que não fazem em Brasília (criticar a União), mas é assustador ter 14 de 17 congressistas vistos por Lula como seus aliados, ao menos a legenda. Significa que, em caso de reeleição do presidente da República, será como no atual e nos mandatos anteriores, quase nenhuma voz levantada pelas grandes obras, grandes serviços e grandes espaços no governo para Goiás.
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