Investimentos em Goiás somam R$ 3,3 bilhões no 2º trimestre, com liderança do setor público
Levantamento do Instituto Mauro Borges aponta forte retração em relação a períodos anteriores
O volume de investimentos anunciados no estado de Goiás totalizou aproximadamente R$ 3,3 bilhões durante o segundo trimestre de 2026. Os dados constam no Boletim 056/2026, documento divulgado pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), órgão vinculado à Secretaria-Geral de Governo do Estado de Goiás (SGG).
De acordo com o relatório técnico do IMB, o montante de R$ 3,28 bilhões representa uma queda de 67,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado havia registrado cerca de R$ 10,2 bilhões no segundo trimestre de 2025. Também houve retração em relação ao primeiro trimestre de 2026, onde Goiás contabilizou R$ 10,5 bilhões em anúncios de investimentos. Frente a esse cenário do início do ano, o recuo verificado agora no segundo trimestre chega a 68,9%.
Setor público
O boletim do IMB destaca uma mudança estrutural no perfil de quem está investindo no Estado, com o poder público assumindo o protagonismo. Do montante total anunciado entre os meses de abril e junho de 2026, R$ 2,67 bilhões têm origem nos cofres governamentais. Isso significa que os investimentos públicos representaram 81,2% de todo o capital projetado para o Estado no trimestre.
Em contrapartida, os recursos classificados como privados ou de capital misto somaram apenas R$ 619 milhões, o que equivale a uma fatia de 18,8% do total. Essa composição destoa do comportamento registrado no primeiro trimestre de 2026, quando o IMB contabilizou R$ 9,37 bilhões de origem privada ou mista contra R$ 1,13 bilhão da esfera pública.
Serviços e Construção
A pesquisa mostra que a alocação do capital também sofreu o que os técnicos do Instituto classificam como uma “recomposição na distribuição setorial”. O segmento de Serviços foi o principal destino dos recursos no período, atraindo R$ 1,77 bilhão, o que corresponde a 53,8% dos anúncios do trimestre.
A área de Construção apareceu em segundo lugar na preferência dos investidores, captando R$ 1,24 bilhão, o equivalente a 37,8%. Por outro lado, a Indústria registrou uma queda em sua relevância para o período, com aproximadamente R$ 276 milhões em investimentos. Com isso, a participação industrial saiu de 82,2% no primeiro trimestre do ano para apenas 8,4% no segundo trimestre. O relatório técnico ressalta ainda que “Não foram registrados anúncios relevantes nos setores de Agropecuária e Comércio no período”.
Foco em expansão territorial e econômica
Ao detalhar como esse dinheiro será aplicado na economia real, o Instituto Mauro Borges constatou que os agentes econômicos estão com as atenções voltadas para o fortalecimento e a ampliação das estruturas que já operam, demonstrando cautela na abertura de novos CNPJs.
A maior parcela dos recursos, cerca de R$ 2,48 bilhões, será destinada à expansão de atividades e empresas já estabelecidas. Por sua vez, a implantação de empreendimentos inéditos, ou seja, projetos começando do zero, respondeu por R$ 800,8 milhões, representando apenas 24,3% dos anúncios do trimestre.
Aparecida, Goiânia e interior
No recorte regional e territorial dos investimentos, a Região Metropolitana de Goiânia continua como o grande polo de atração, absorvendo o maior volume de aportes financeiros. A capital, Goiânia, lidera o ranking estadual com R$ 997,3 milhões anunciados no trimestre. Logo em seguida aparece o município vizinho de Aparecida de Goiânia, com R$ 431,1 milhões.
Fora do eixo central da capital, o destaque fica para o município de Edéia, localizado na região sul do Estado, que garantiu R$ 279,5 milhões em novos investimentos. Fechando a lista das quatro cidades mais atrativas no período analisado está Jaraguá, tradicional polo da indústria de confecção situado na região do Vale de São Patrício, com R$ 111,2 milhões anunciados.
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