Lula e Flávio trocam acusações sobre corrupção, economia e segurança em debate na Band
Primeiro bloco do debate foi marcado por ataques pessoais, acusações envolvendo o INSS e o Banco Master e poucas respostas diretas às perguntas feitas pelos adversários
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações sobre segurança pública, economia e corrupção no primeiro bloco do debate presidencial da Band, realizado neste domingo (18). O confronto foi marcado por questionamentos sobre as investigações envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o caso do Banco Master e familiares dos candidatos.
Ao longo da discussão, os dois buscaram associar o adversário a denúncias e controvérsias políticas. O embate também teve críticas às gestões anteriores, promessas de campanha e questionamentos sobre propostas para o País.
Segurança pública abre confronto
A segurança pública foi o primeiro tema discutido pelos candidatos, que responderam a uma pergunta sobre as mortes violentas registradas no Brasil e as medidas para enfrentar o crime organizado.
Flávio prometeu declarar guerra às organizações criminosas a partir de 2027 e classificá-las como narcoterroristas. “No governo Flávio Bolsonaro não vai ter bandido na rua. Não vai ter política de desencarceramento como tem no atual governo”, afirmou.
Lula rebateu ao dizer que o senador teve a oportunidade de votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, mas se posicionou contra. O presidente defendeu a ampliação da atuação da União no combate à violência e citou ações da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a lei antifacção como iniciativas de seu governo.
Economia e custo de vida entram no debate
Na discussão econômica, Lula destacou o crescimento registrado durante seus primeiros mandatos e afirmou que o País voltou a crescer acima de 3% após seu retorno à Presidência. O petista prometeu ampliar os investimentos e defendeu os resultados de suas gestões.
Flávio, por sua vez, acusou o PT de governar o Brasil por 18 anos sem resolver os problemas econômicos e afirmou que o custo de vida continua elevado. O senador também prometeu uma economia de R$ 250 milhões para ajudar os brasileiros a quitar dívidas e estimular a atividade econômica.
INSS e familiares viram alvo de acusações
O tom do confronto se intensificou quando os candidatos passaram a fazer perguntas diretamente um ao outro. Lula questionou por que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade em 2009. O senador não respondeu diretamente ao tema e perguntou se o presidente conhecia Roberta Luchsinger.
Na sequência, Lula acusou Flávio de ter sido sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O senador levou a discussão para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e levantou questionamentos sobre suas relações pessoais.
Lula afirmou que o filho deve ser investigado e defendeu que as apurações avancem sem interferência política. O presidente disse que não troca o diretor da Polícia Federal e afirmou que Lulinha é alvo de três inquéritos. Também citou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ao defender o andamento das investigações e o julgamento dos envolvidos.
Flávio insistiu nas acusações relacionadas ao filho do presidente e voltou a mencionar Roberta Luchsinger. As afirmações feitas durante o debate foram apresentadas no contexto da disputa política entre os candidatos.
Banco Master amplia troca de ataques
O caso do Banco Master também ocupou parte do confronto. Lula questionou Flávio sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O senador respondeu acusando o presidente de ter sido condenado por corrupção.
Lula retrucou com uma referência à perda de imunidade parlamentar do adversário e questionou a origem de R$ 134 milhões que associou ao senador. Flávio rebateu citando um áudio de Vorcaro divulgado pela revista Veja.
“Vocês fizeram dele um banqueiro e eu fiz dele um prisioneiro”, declarou Lula, ao defender a atuação de seu governo no caso. O presidente também acusou Flávio de mentir sobre o assunto e afirmou que o debate era uma oportunidade para o senador apresentar sua versão.
O parlamentar, por sua vez, tentou deslocar a discussão para o Bolsa Família e voltou a criticar o histórico dos governos petistas.
Escala 6×1 e propostas de campanha
A discussão também passou pelo fim da escala de trabalho 6×1. Lula questionou a posição do senador sobre a proposta, mas Flávio não detalhou como trataria a mudança. Ele afirmou que, em seu eventual governo, os trabalhadores teriam garantias e condições para prosperar.
Em outro momento, Lula acusou Flávio de ter atuado em defesa de um policial que matou uma criança de cinco anos. O presidente também se dirigiu aos eleitores ligados ao bolsonarismo e afirmou ser uma opção melhor do que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio respondeu com uma provocação aos eleitores petistas: “Você vai votar em quem o bandido que rouba seu celular vota?”.
Ao final do primeiro bloco, o senador teve direito de resposta e voltou a enfatizar a promessa de combate ao narcotráfico. Ele também anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade.
O primeiro confronto direto entre os candidatos no segundo turno terminou com acusações sobre investigações, críticas aos governos e promessas de campanha. Em diferentes momentos, os dois desviaram das perguntas feitas pelo adversário para retomar ataques políticos, mantendo o foco na disputa eleitoral a uma semana da votação.
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