Celina promete “choque de gestão” e mudança no modelo de licitações do DF
Candidata à reeleição afirma que pretende ampliar governança digital, fortalecer a ouvidoria e mudar critérios para evitar obras paralisadas e contratos com aditivos
A candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que pretende promover um “choque de gestão” em uma eventual nova administração, com mudanças no modelo de licitações, ampliação da governança digital e fortalecimento da ouvidoria. As declarações foram dadas durante agenda do programa GDF na Sua Porta, no Riacho Fundo I.
Segundo Celina, uma das propostas é discutir com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) um modelo de licitação em que as empresas comprovem capacidade técnica antes de avançarem para a disputa pelo contrato. A ideia, segundo ela, é evitar que empresas apresentem preços muito baixos, vençam os certames e depois abandonem as obras por não conseguirem executá-las.
“Estamos montando um grupo de trabalho para fazer isso de forma diferente e garantir mais transparência. Queremos que o preço verdadeiro seja apresentado no certame e que as empresas tenham capacidade técnica para executar a obra, evitando que a população fique esperando por serviços que não são concluídos”, afirmou.
Celina citou como exemplo o Hospital do Câncer, que, segundo ela, já passou por três tentativas de licitação. Também mencionou a obra da EPIG, na qual o governo precisou assumir a iluminação que seria de responsabilidade da empresa contratada.
“Às vezes, nas licitações, uma empresa ganha por um preço muito baixo e não consegue executar a obra. O que estamos discutindo é uma forma de evitar esse problema e reduzir a necessidade de tantos aditivos. É melhor fazer a obra pelo preço que ela realmente custa do que ter uma disputa que leva o valor para baixo e, depois, deixa a população esperando”, disse.
A candidata afirmou que, ao assumir o governo, encontrou obras paralisadas ou abandonadas por empresas que não conseguiram cumprir os contratos. Nesses casos, segundo Celina, o governo precisa recorrer à mão de obra própria, quando possível, ou realizar uma nova licitação, o que pode aumentar o tempo e o custo de conclusão.
GDF na Sua Porta
Durante a agenda no Riacho Fundo I, Celina também destacou os resultados do programa GDF na Sua Porta, que reúne diferentes órgãos do governo em forças-tarefas de zeladoria e obras nas regiões administrativas.
A governadora afirmou que o programa é planejado a partir das principais demandas apresentadas pela população e identificadas pela administração. No Riacho Fundo I, a intervenção inclui uma obra considerada uma antiga reivindicação dos moradores e deve beneficiar mais de 50 mil pessoas.
“O GDF na Sua Porta aproxima muito o governo da população. A gente chega com os recursos reunidos em uma força-tarefa para resolver os problemas e fazer com que a presença do Estado apareça na cidade”, afirmou.
Celina também defendeu que as intervenções de zeladoria sejam acompanhadas de acessibilidade. Segundo ela, a orientação para os projetos do governo é que calçadas e demais obras já sejam planejadas com estruturas acessíveis, evitando a necessidade de adaptações posteriores.
A candidata citou ainda a recuperação de áreas que antes eram utilizadas como pontos de descarte irregular de lixo e afirmou que a manutenção das cidades deve ser permanente.
“A cidade precisa de manutenção constante. Quando o programa voltar, no ano seguinte, teremos outros problemas para resolver, mas a ideia é não deixar que uma demanda fique anos sem atendimento”, disse.
Ouvidoria como ferramenta de gestão
Outra proposta apresentada por Celina é dar mais peso à ouvidoria do GDF como instrumento para identificar problemas e avaliar o atendimento prestado pelos servidores.
Ela afirmou que utilizou dados da própria ouvidoria para definir as primeiras ações do GDF na Sua Porta e identificar as principais reclamações relacionadas à zeladoria. Na época, segundo a candidata, iluminação pública e buracos estavam entre as demandas mais recorrentes.
“Quando começamos o GDF na Sua Porta, fomos buscar na ouvidoria quais eram os principais problemas das cidades. Descobrimos que havia muitas reclamações sobre iluminação pública e buracos. Quando você escuta o cidadão e aquilo tem voz e valor, isso é muito importante”, afirmou.
Celina também defendeu que os elogios feitos pela população sejam considerados na avaliação dos servidores públicos.
“Quero dar ainda mais poder à população para que ela apresente suas críticas e reclamações, mas também seus elogios. Temos muitos servidores que fazem um trabalho de excelência, e precisamos valorizar também quem presta um bom serviço”, disse.
Na área digital, a candidata afirmou que pretende ampliar a transformação administrativa já iniciada no governo e defendeu uma estrutura de gestão baseada em ferramentas digitais e maior participação dos cidadãos.
“Quero uma gestão com respostas rápidas à população, uma gestão digital, com governança digital. O caminho da transparência é esse: ter mais gestão e fazer com que a voz da população seja realmente ouvida”, afirmou.
Celina disse que já existe um estudo administrativo para a implementação das mudanças e classificou o conjunto de propostas como um “choque de gestão” para uma eventual nova gestão. A candidata, no entanto, ressaltou que as medidas serão discutidas para o próximo governo e que, neste momento, a prioridade é a campanha eleitoral.
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