Goiás amplia exportações do agro e avalia o Mercosul
Países fundadores do Mercado Comum do Sul representam parcela de um dígito das exportações de Goiás, segundo a Secretaria de Indústria
O Brasil deve voltar a ser a oitava maior economia do mundo em 2027, com Produto Interno Bruto (PIB) de US$2,80 trilhões, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgada em outubro. A agropecuária foi a atividade que mais contribuiu para o crescimento da economia brasileira em 2025, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A agropecuária avançou 11,7% e respondeu por 32,8% do crescimento de 2,3% do PIB em 2025. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$169,2 bilhões, o que equivale a 48,5% das vendas externas do país. Para 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 367,14 milhões de toneladas de grãos, com 181,61 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de milho.
Goiás tem espaço para ampliar as vendas ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), segundo estudo da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) do Estado. O documento aponta oportunidades em carnes, derivados de soja, etanol e laticínios, e cita como limites a concorrência em commodities e o custo de transporte.
A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) informa que a Britânia recebeu autorização para exportar melancia, melão e abóbora após quase um ano de monitoramento da mosca-das-frutas. Goiás tem 20 municípios habilitados para esses produtos em mercados que incluem o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos, e exportou cerca de 33 mil toneladas de melancia em 2025 para esses destinos.
Em Rio Verde, as vendas para oito dos 11 países considerados do bloco somaram US$7,76 milhões de janeiro a setembro de 2026, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Sustentável. A classificação inclui os países associados Chile e Peru. O Chile comprou cerca de US$2,7 milhões, o Peru US$2,5 milhões, o Uruguai US$1,7 milhão e o Paraguai cerca de US$600 mil. O município exportou US$57 milhões ao grupo em 2023 por causa de operação atípica com a Argentina, US$10,91 milhões em 2024 e US$2,395 milhões em 2025.
Em Aparecida de Goiânia, a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio informa que o Mercosul é o principal destino das exportações, com destaque para produtos farmacêuticos.
Entre janeiro e agosto de 2026, Goiás exportou US$9,6 bilhões e teve superávit de US$5,6 bilhões, segundo a SIC. O complexo da soja respondeu por 51,94% das vendas, as carnes por 20,58% e a China comprou 45,44% do total.
A carne bovina representou 15,96% das exportações goianas no período. Segundo a Secretaria de Agricultura de Goiás, o preço médio da tonelada exportada chegou a US$6.127,25 em maio e foi o maior para o mês desde 2022. Rio Verde foi o município que mais exportou, com US$2,5 bilhões ou 26,39% do total.
O Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB) divulgou em 14 de outubro o primeiro Boletim do PIB do Agronegócio. O setor gerou R$135,6 bilhões em Goiás em 2023 e respondeu por 40,3% do PIB estadual. O crescimento real foi de 20,5% desde 2012, acima dos 14,6% da economia goiana, e a participação supera em 16,7 pontos percentuais a média nacional de 23,6%. O setor empregou 1.005.201 pessoas e atingiu o maior número desde 2012.
A Conab projeta 35,9 milhões de toneladas de grãos em Goiás na safra 2026/27, o que representa avanço de 7,8%. A área deve crescer 1,9% e chegar a 8,12 milhões de hectares. A produtividade projetada em Goiás é de 4.422 quilos por hectare, com alta de 5,8%. A Conab aponta que a ampliação da capacidade de esmagamento das usinas de etanol impulsiona o aumento da área de milho. (Especial para O HOJE)
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