terça-feira, 20 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Goiás concentra 70,6% das vinícolas do Centro-Oeste

Estado foi o único da região a registrar crescimento no número de estabelecimentos em 2025

Otavio Augustopor em
Goiás concentra 70,6% das vinícolas do Centro-Oeste
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O mercado de vinhos passa por mudanças no Brasil, com aumento do consumo, crescimento das importações e expansão do número de estabelecimentos registrados em algumas regiões produtoras. Em Goiás, esse movimento aparece no avanço da quantidade de vinícolas, que passou de 11, em 2024, para 12, em 2025. A alta de 9,1% ficou acima da média nacional, de 1,9%, segundo o Anuário do Vinho 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Com esse resultado, Goiás foi o único estado do Centro-Oeste a registrar crescimento no número de vinícolas no período. A região encerrou 2025 com 17 estabelecimentos, dos quais 12 estavam em território goiano, o equivalente a 70,6% do total regional. Mato Grosso e Distrito Federal mantiveram dois estabelecimentos cada, enquanto Mato Grosso do Sul registrou um.

 

 

 

O cenário evidencia oportunidades para a economia regional, mas também aponta desafios relacionados à produção, à distribuição e à formação de profissionais. A cadeia do vinho reúne atividades agrícolas, industriais e comerciais, além de serviços ligados à gastronomia, ao turismo e à experiência do consumidor.

Consumo e importações movimentam o mercado brasileiro

O consumo de vinho no Brasil também chama a atenção. Dados atribuídos à Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) indicam que o país consumiu 440 milhões de litros em 2025, crescimento de 41,9% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o consumo mundial recuou 2,7%.

Os números exigem atenção à metodologia e à base de comparação utilizadas no levantamento, mas apontam para a relevância do mercado brasileiro em um cenário internacional de mudanças nos hábitos de consumo e de pressão sobre o setor.

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As importações reforçam a dimensão comercial desse mercado. Segundo o Anuário do Vinho 2026, o Brasil comprou do exterior 165,7 milhões de litros em 2025, por US$ 560,8 milhões. No mesmo período, exportou 7,3 milhões de litros, que renderam US$ 13,8 milhões.

O volume importado foi aproximadamente 22,7 vezes maior que o exportado. Em valor, as compras externas superaram as vendas ao exterior em cerca de 40,6 vezes. A diferença mostra o peso dos produtos estrangeiros no abastecimento nacional e evidencia o espaço que a produção brasileira ainda pode buscar nos mercados interno e externo.

 

 

 

Produção goiana tem espaço para diversificação

Apesar do avanço no número de estabelecimentos, a vitivinicultura goiana ainda tem uma estrutura menor que a dos principais polos produtores do país. As 12 vinícolas registradas em Goiás tinham 161 vinhos cadastrados no Mapa em 2025, média de 13,4 produtos por estabelecimento. O estado ocupava a sétima posição nacional nesse indicador, abaixo da média brasileira de 16,8 vinhos registrados por vinícola.

A produção de uvas de mesa ainda predomina em Goiás, mas há potencial para ampliar o cultivo destinado à fabricação de vinhos e sucos. Entre as áreas com atividade vitivinícola estão as regiões Sul, Sudoeste, Central e Noroeste do estado, com estabelecimentos em municípios como Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí.

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Uma das alternativas para diversificar a atividade é o sistema de produção conhecido como vinhos de inverno. Desenvolvida para regiões de clima subtropical e tropical de altitude, a técnica permite deslocar a colheita para os meses de junho a agosto. Nesse modelo, as videiras passam por duas podas anuais, de modo que a maturação das uvas ocorra durante o inverno.

A estratégia modifica o calendário tradicional da viticultura e permite explorar condições climáticas específicas de áreas situadas, em geral, entre 600 e 1.200 metros de altitude. Pesquisas da Embrapa Uva e Vinho apontam esse sistema como parte da expansão da vitivinicultura brasileira para além das regiões tradicionais do Sul.

Para Goiás, a diversificação pode abrir possibilidades de agregar valor à produção agrícola. O avanço, no entanto, depende de fatores como adaptação das variedades de uvas, condições de cultivo, tecnologia, custos de produção e acesso aos canais de comercialização.

 

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