Lula é reeleito e agradece mobilização da campanha no segundo turno
Após ser eleito para o quarto mandato como presidente, petista agradeceu a militância, comemorou a queda na abstenção e prometeu “governo do povo”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para seu quarto mandato neste domingo (25), no segundo turno das eleições de 2026, e irá chefiar o Palácio do Planalto até 2030. O petista derrotou o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e tornou-se o primeiro candidato a virar uma disputa presidencial após ficar atrás no primeiro turno.
A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08. Com 100% das urnas apuradas, o petista tinha recebido 64.256.232 dos votos válidos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. O petista recebeu 10.376.694 votos a mais em relação ao primeiro turno, enquanto o candidato do PL aumentou sua votação em 3.721.538.
Antes de seu discurso após a vitória, Lula passou a palavra para o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin (PSB), que agradeceu aos brasileiros e ao presidente reeleito. “A primeira palavra é gratidão. Gratidão ao povo brasileiro. Saudar as mulheres, as diferenças, os idosos que se sacrificaram a ir votar. E ao senhor, meu profundo respeito. O senhor pela segunda vez salvou a democracia brasileira. Conte conosco, com humildade e senso de responsabilidade para estarmos à altura do povo brasileiro”, disse o vice-presidente.
Em sua fala, Lula agradeceu a mobilização da militância no segundo turno e destacou a baixa na abstenção, sobretudo entre os idosos. “Nós tivemos o maior número na queda de abstenção e votos nulos deste país. Eu preciso agradecer a generosidade da juventude brasileira, que foi para a rua defender a democracia. Quero agradecer os idosos. Eu vi gente impossibilitada sendo carregada para ir votar, porque nós conseguimos mostrar que o voto era muito importante para assegurar a democracia”, disse o petista.
Neste segundo turno, a abstenção ficou em 30.509.005, o que representou 2,96 milhões de votos a mais em relação ao primeiro turno, quando 33.469.244 não foram às urnas.
“Não temos mais adversários”
Sem citar Flávio diretamente, o petista fez referência ao rival na disputa eleitoral em seu discurso. “Eu confesso que a cada debate eu ficava constrangido. Eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com os principais presidentes do mundo, falando dos principais problemas do mundo, mas eu nunca imaginei me deparar com o representante do milicianismo desse país. Nunca imaginei que uma pessoa conseguisse mentir tanto”, disparou.
Apesar das críticas ao candidato do PL, Lula disse que “governará para todos”. “À medida que nós ganhamos as eleições, nós não temos mais adversários. Preciso governar para 215 milhões, para todas as cidades”, disse. O presidente ainda minimizou o avanço da direita no Congresso Nacional e afirmou que foi uma “escolha do povo” e que irá “governar com o povo”.
O presidente ainda afirmou que precisou “vencer a intromissão estrangeira” no processo eleitoral, “que aconteceu através das plataformas digitais”. “Nós precisamos regulá-las. Não é possível que o crime digital não seja tratado como um crime aqui neste país. Essa eleição foi a derrota do negacionismo, da mentira”, afirmou.
Em seguida, Lula também agradeceu o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo grupo de mensagens no Whatsapp “Exército do Lula”, pelo empenho na campanha digital e ressaltou que fará um governo com “participação do povo”.
“Essas eleições me ensinaram muitas lições. Nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões e a comunicação digital vai ganhar um espaço grande no nosso governo. Não vou me deixar ser interpretado por jornalista com má-fé”, frisou Lula.
O presidente reeleito completará 81 anos na próxima terça-feira (27) e será o chefe do Executivo mais velho a tomar posse da Presidência da República, já que será reconduzido ao cargo no próximo dia 5 de janeiro. A marca anterior era do próprio Lula, que retornou ao Planalto em 2023 com 77 anos.
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