Justiça suspende “Bolsa Mounjaro” que usou emenda de Tiririca para comprar medicamento em São Paulo
Decisão atinge aplicações de tirzepatida manipulada em Urupês; prefeitura defende que o atendimento é individualizado e anuncia novo recurso
Cerca de 400 pacientes atendidos por um programa municipal contra a obesidade em Urupês, no interior de São Paulo, foram afetados por uma decisão judicial que suspendeu as aplicações de tirzepatida manipulada. A iniciativa ficou conhecida nas redes sociais como “Bolsa Mounjaro”.
A liminar é provisória e foi concedida em primeira instância após uma ação da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. A empresa questiona se as compras feitas pela prefeitura respeitam as regras para medicamentos manipulados. O município tentou reverter a suspensão, mas teve o pedido negado na terça-feira (3). A gestão informou que apresentará novo recurso.
Os pacientes recebiam Mounjaro?
Apesar do apelido, o programa não utilizava o medicamento industrializado da Lilly, vendido em caneta. Os pacientes recebiam injeções de tirzepatida, o mesmo princípio ativo, preparadas em farmácia de manipulação. Segundo a prefeitura, cada pessoa possui uma ampola individual, comprada após prescrição específica e sem compartilhamento. As aplicações acontecem nas unidades públicas de saúde.
O que a Justiça questionou?
A Lilly apresentou registros de compras repetidas de frascos de 60 mg e 63 mg, que classificou como padronizados. Na análise inicial, a Justiça entendeu que a aquisição havia sido feita pela prefeitura de forma padronizada, e não preparada para pacientes determinados. Esse é o ponto contestado pelo município, que afirma seguir receitas individualizadas.
A suspensão está em vigor desde a última semana de outubro, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
Compras usaram emenda de Tiririca
Segundo o Portal da Transparência, foram registrados 261 empenhos que somam R$ 306 mil, entre 15 de julho e 8 de outubro, em favor da farmácia Terapêutica. Desse total, R$ 268.290 haviam sido pagos até 27 de outubro.
Os recursos vieram de emenda parlamentar do deputado Tiririca. A prefeitura justificou a escolha pelo custo: cerca de R$ 900 por frasco, diante de aproximadamente R$ 1,5 mil pela caneta da mesma dose, conforme os valores informados.
Como ficam os pacientes?
O município não informou se haverá substituição por outro medicamento. Ao negar a tentativa de reverter a liminar, a Justiça destacou que a restrição atinge a versão manipulada, sem impedir a compra do produto industrializado aprovado.
A prefeitura argumenta que a interrupção prejudica a continuidade da assistência. A Lilly sustenta que a medida protege os pacientes e o cumprimento das normas sanitárias.
“Programa pioneiro”
A Prefeitura de Urupês deu início ao programa em fevereiro deste ano. Segundo a administração, o município era o primeiro no estado de São Paulo a oferecer esta solução pelo SUS. O tratamento farmacológico era acompanhado por uma equipe médica multidisciplinar, composta por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.
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