Megaoperação nacional mira rede de bets ilegais que movimentou R$ 739 milhões
Ação mobiliza mais de 200 policiais em seis estados e no DF; Justiça determinou bloqueio de até R$ 3,48 bilhões em contas e ativos de investigados
Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (5/11) mira uma rede suspeita de explorar apostas ilegais e lavar dinheiro para o crime organizado. Mais de 200 policiais civis cumprem dezenas de ordens judiciais em Goiás, no Distrito Federal e em outros quatro estados. A Justiça determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas, até o limite de R$ 3,483 bilhões. Segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), responsável pela investigação, o esquema movimentou aproximadamente R$ 739 milhões.
Em Goiás, os mandados têm como alvos endereços em Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás. No Distrito Federal, uma loja de tarô localizada em Sobradinho teria sido utilizada para dissimular a origem dos recursos. A investigação também aponta o envolvimento de uma fintech de São Paulo e de empresas ligadas ao mesmo grupo. Além do bloqueio financeiro, a Justiça determinou a suspensão de registros de 100 empresas e empresários, a proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados por 90 dias e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 jurídicas.
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A apuração começou há cinco meses, após uma comunicação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os investigadores identificaram plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal. Os pagamentos feitos por Pix eram direcionados a empresas que declaravam atividades diferentes, como uma clínica de assistência psicossocial e a loja de tarô. Também foram encontradas empresas abertas entre fevereiro e julho deste ano, com capital social semelhante e endereços em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Em alguns locais, havia imóveis vazios ou estabelecimentos sem relação aparente com as atividades declaradas. A suspeita é de que empresas de fachada recebessem os valores e os redistribuíssem entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive por meio de criptoativos.
A fintech investigada, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto, teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão junto com empresas do mesmo grupo. Simulações da Secretaria de Prêmios e Apostas apontaram que cobranças via Pix feitas pelos sites investigados eram direcionadas a contas de empresas de fachada mantidas na instituição. A operação também alcança três empresas que receberam autorizações de loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro, mas que, segundo os investigadores, apresentam vínculos societários e movimentações financeiras suspeitas. Os envolvidos poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 33 anos de prisão.
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