sexta-feira, 6 de novembro de 2026
VÔLEI

Justiça nega novo pedido de Tifanny, que segue fora da Superliga

Defesa da jogadora tenta reverter decisão que restringiu sua participação em competições nacionais; caso envolve critérios de elegibilidade adotados pela CBV

Thais Munizpor em
tiffany
Tifanny Abreu, oposta do Osasco, segue impedida de disputar a Superliga Feminina após a Justiça do Rio de Janeiro negar um novo pedido de liminar apresentado pela defesa da atleta - Foto: divulgação/Osasco

A jogadora Tifanny Abreu sofreu mais um revés na disputa judicial para voltar às quadras pela Superliga Feminina. Nesta sexta-feira (6), a 14ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro negou um novo pedido de liminar apresentado pela defesa da oposta do Osasco. Com isso, a atleta continua sem autorização para disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

A ação apresentada pelos advogados busca anular o julgamento do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol (STJD), que manteve o impedimento da jogadora. A defesa também pretende restabelecer a condição de jogo de Tifanny na temporada 2026/2027.

Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que a insatisfação da atleta com o resultado do julgamento esportivo não representa motivo suficiente para suspender seus efeitos.

“A mera discordância da parte autora quanto ao resultado do julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Mandado de Garantia nº 002/2026, não constitui, por si só, fundamento suficiente para justificar a suspensão de seus efeitos”, registrou a juíza.

Entenda o histórico da disputa judicial

A primeira decisão favorável a Tifanny ocorreu em 16 de outubro, quando a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma liminar que autorizava a participação da jogadora na Supercopa e na Superliga Feminina.

Com a autorização provisória, a oposta entrou em quadra na final da Supercopa, contra o Praia Clube. Na ocasião, marcou 15 pontos, recebeu o Troféu VivaVôlei e participou da vitória do Osasco por 3 sets a 0, resultado que garantiu o título à equipe paulista.

Entretanto, a situação mudou em 23 de outubro. Naquela data, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) suspendeu a liminar que permitia a participação da atleta. No mesmo dia, o STJD rejeitou, por unanimidade, o mandado de garantia apresentado pela defesa.

A nova negativa desta sexta-feira representa mais um resultado desfavorável para Tifanny. A ação na Justiça comum, porém, continua em tramitação.

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CBV se manifesta sobre decisão

Após a divulgação do resultado, a Confederação Brasileira de Voleibol publicou uma nota sobre o novo indeferimento. A entidade afirmou que a decisão representa mais um resultado favorável à aplicação de sua política de elegibilidade.

No comunicado, a CBV também declarou que seguirá cumprindo as determinações judiciais e esportivas.

“A CBV reafirma seu compromisso com o cumprimento das decisões do Poder Judiciário e da Justiça Desportiva, e com o respeito e a dignidade de todas as atletas”, informou a confederação.

A entidade acrescentou que considera sua política de elegibilidade uma norma geral, aplicada igualmente às atletas e alinhada aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

Por que Tifanny está impedida de jogar?

O caso começou em agosto de 2026, quando a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para as competições da categoria feminina. A medida passou a adotar critérios da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano.

Pelas regras estabelecidas pela confederação, as atletas precisam passar por uma triagem genética para verificar a presença do gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. A política prevê a elegibilidade na categoria feminina para atletas que atendam aos critérios estabelecidos, com ressalvas para condições excepcionais previstas no regulamento.

A medida passou a valer para competições como a Superliga A e B da temporada 2026/2027, além da Supercopa de 2026 e da Copa Brasil de 2027.

Aos 41 anos, Tifanny disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. A jogadora foi a primeira atleta transgênero a atuar na elite do voleibol feminino brasileiro.

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