Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil
Estudo aponta que a mudança pode ocorrer entre 2031 e 2037, conforme o ritmo de expansão do mercado
A próxima década pode marcar uma mudança importante no mercado brasileiro de motocicletas. Modelos elétricos, que ainda representam uma parcela pequena das vendas, podem se tornar maioria diante das motos a combustão. A possibilidade aparece em um estudo da Bright Consulting, que traça três cenários para a expansão da tecnologia no país. A projeção mais otimista aponta para uma virada entre 2031 e 2032. No cenário-base, a mudança ocorreria entre 2035 e 2037. Já na hipótese conservadora, os modelos elétricos não alcançariam metade do mercado até 2040.
Mercado ainda é pequeno, mas apresenta avanço
A participação das motocicletas elétricas nas vendas brasileiras cresceu nos últimos anos, embora permaneça distante dos modelos tradicionais. Segundo levantamento da Bright Consulting, os veículos de duas rodas com propulsão elétrica responderam por 1,19% das vendas no primeiro semestre de 2026. Em 2024, a fatia havia sido de 0,39%.
O avanço ocorre em um mercado que continua em expansão. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares indicam que as vendas de motocicletas no varejo chegaram a 1,78 milhão de unidades entre janeiro e setembro de 2026, alta de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A entidade também elevou a projeção de produção para 2,1 milhões de unidades em 2026.
Os números mostram que a eletrificação ainda disputa espaço com uma indústria consolidada, que atende diferentes perfis de consumidores. A motocicleta a combustão mantém presença expressiva no transporte diário e no trabalho, especialmente em atividades que exigem deslocamentos frequentes. Por isso, a substituição não deve ocorrer de maneira uniforme entre as categorias.

É importante diferenciar, ainda, os dados sobre motocicletas elétricas dos levantamentos mais amplos de mobilidade elétrica. A estimativa de crescimento de 7,6 mil unidades em 2016 para 284 mil em 2024, citada em estudos do setor, reúne bicicletas elétricas, veículos autopropelidos e ciclomotores. Portanto, não representa exclusivamente a frota de motos elétricas no Brasil.
Baterias e recarga podem definir a velocidade da mudança
Na avaliação da Bright Consulting, dois fatores terão peso decisivo para ampliar a participação dos modelos elétricos: a autonomia efetiva das baterias e a infraestrutura disponível. O consumidor precisa encontrar um veículo capaz de atender à distância percorrida em sua rotina, sem comprometer a praticidade do deslocamento.
O tempo de recarga também interfere na decisão de compra. Para quem utiliza a motocicleta apenas em trajetos curtos, a possibilidade de carregar a bateria em casa pode facilitar a adoção. Já para entregadores e trabalhadores que passam várias horas na rua, o período em que o veículo permanece parado representa uma questão operacional.
Nesse contexto, os sistemas de troca de baterias aparecem como uma alternativa. Em vez de aguardar a recarga, o usuário substitui a bateria descarregada por outra carregada em pontos preparados para esse serviço. O modelo pode reduzir o tempo de parada, principalmente em operações profissionais, mas depende da expansão de uma rede de atendimento e da padronização dos equipamentos.
A evolução tecnológica também precisa considerar o custo de aquisição. Mesmo quando a utilização diária pode representar economia, o preço inicial do veículo, a reposição da bateria e a disponibilidade de assistência técnica entram na conta do consumidor. Sem uma relação favorável entre investimento e benefício, a expansão tende a encontrar obstáculos.

Uso profissional pode acelerar a procura
O mercado de trabalho aparece entre os segmentos com maior potencial para a eletrificação. Entregas, serviços urbanos e atividades que exigem deslocamentos constantes podem favorecer a adoção de motos elétricas, desde que os veículos ofereçam autonomia compatível com a jornada e condições adequadas de recarga ou troca de bateria.
A análise da Bright aponta que o perfil de utilização influencia diretamente a velocidade dessa transição. Em aplicações profissionais, o custo por quilômetro e o tempo de operação têm peso importante. Já nas motocicletas destinadas ao lazer, o consumidor pode considerar outros aspectos, como desempenho, experiência de condução, potência e características do motor.
Essa diferença ajuda a explicar por que a eletrificação não deve avançar no mesmo ritmo em todas as categorias. Modelos urbanos e voltados a trajetos previsíveis podem encontrar espaço antes de motocicletas de maior cilindrada, esportivas ou utilizadas em viagens longas.
Para o comércio, a mudança também pode alterar a demanda por serviços. A manutenção de veículos elétricos envolve componentes e conhecimentos diferentes dos utilizados nos motores a combustão. Sistemas eletrônicos, baterias, controladores e motores elétricos exigem capacitação técnica, o que pode abrir oportunidades para oficinas e profissionais preparados para atender essa frota.
Em Goiânia, a expansão da mobilidade elétrica se relaciona às discussões sobre deslocamento urbano, custos de transporte e alternativas para trajetos cotidianos. A motocicleta já ocupa espaço importante na rotina de trabalhadores e consumidores que buscam flexibilidade no trânsito. Nesse cenário, os modelos elétricos podem ampliar as opções disponíveis, mas sua adoção depende das condições de uso oferecidas pela cidade.
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