Por que o melasma volta mesmo depois do tratamento? Especialista defende abordagem que vai além do clareamento
Dermatologista goiano apresenta em congresso internacional novas abordagens para controlar manchas e alterações que favorecem sua recorrência
Quem convive com melasma conhece a frustração: a mancha clareia depois do tratamento, mas volta a aparecer. O problema não se resume à produção excessiva de pigmento. Alterações inflamatórias, vasculares e estruturais da pele ajudam a explicar por que controlar a condição exige mais do que um creme clareador.
Essa visão foi discutida pelo dermatologista goiano Alessandro Alarcão no XXV Congresso Ibero-Latino-Americano de Dermatologia, realizado no Porto, em Portugal. Na apresentação de 30 de outubro, ele abordou mecanismos que mantêm o melasma ativo mesmo quando a pigmentação visível diminui.
“O melasma não pode ser tratado apenas como uma mancha. O que aparece na superfície da pele é resultado de uma série de alterações que acontecem em suas diferentes camadas. Quando compreendemos esses mecanismos, conseguimos desenvolver estratégias terapêuticas mais completas, que vão além do simples clareamento”, explica Alarcão.
O melasma provoca manchas acastanhadas, principalmente no rosto, e afeta sobretudo mulheres. O sol, predisposição genética e mudanças hormonais estão entre os fatores associados. Mesmo após uma melhora, a radiação ultravioleta e a luz visível podem estimular o escurecimento.
A explicação está também no que não se vê. Células produtoras de melanina interagem com vasos sanguíneos e células envolvidas na inflamação. Pesquisas investigam alterações na membrana que separa camadas da pele e mudanças na derme, que podem favorecer a persistência das lesões.
Isso muda o que se espera do tratamento. A fotoproteção diária continua essencial, assim como medicamentos tópicos indicados após avaliação. Em algumas situações, podem ser consideradas terapias combinadas. A meta não é prometer o desaparecimento definitivo das manchas, mas controlar as recaídas.
No congresso, Alarcão discutiu lasers e terapias regenerativas ainda em investigação. Essas técnicas não são solução automática: a eficácia varia, e procedimentos mal indicados podem provocar inflamação e piorar a pigmentação. Consensos médicos reservam o laser, em geral, para casos selecionados.
Há outro aspecto que não aparece nos exames: a repercussão emocional. As manchas podem gerar desconforto com a própria imagem e afetar a vida social. Reconhecer esse impacto não significa reduzir o melasma a uma preocupação estética.
“Estamos falando de uma doença que pode afetar profundamente a autoestima, a confiança e a qualidade de vida das pessoas. O futuro do tratamento do melasma está em compreender sua complexidade, individualizar as abordagens e buscar resultados cada vez mais seguros e sustentáveis”, conclui.
Para quem vê as manchas voltarem, a meta é não improvisar com produtos agressivos nem interpretar a recorrência como fracasso pessoal. O cuidado passa por diagnóstico correto, proteção contra a luz e acompanhamento capaz de ajustar o tratamento, conforme as necessidades de cada um.
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