Saiba detalhes de como será a primeira viagem internacional de Lula após reeleição
Da COP31 aos negócios na Ásia: o que Lula vai discutir em sua primeira viagem após reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca na próxima segunda-feira (9/11) para sua primeira viagem internacional após a reeleição. Ao longo de uma semana, o chefe do Executivo cumprirá compromissos na Turquia e nas Filipinas. A programação inclui a participação na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31) e na 49ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A viagem tem como eixos principais a agenda ambiental e a ampliação das relações comerciais do Brasil com países asiáticos. Na primeira etapa, Lula estará em Antália, na Turquia. Em seguida, seguirá para Manila, capital das Filipinas, onde fará uma visita de Estado e participará de reuniões com representantes do governo e do setor empresarial.
COP31: o que Lula pretende apresentar na Turquia?
Lula deve chegar à Turquia na terça-feira (10/11). O primeiro dia será dedicado à preparação para a conferência climática e à possibilidade de encontros bilaterais com outros chefes de Estado.
Na quarta-feira (11/11), o presidente participará da cerimônia de abertura da COP31. Na ocasião, discursará ao lado de representantes dos outros dois anfitriões do encontro: Turquia e Austrália, que compartilham a presidência da conferência neste ano.
Ainda durante a programação, Lula participará de um evento sobre florestas. Um dos assuntos previstos é o fortalecimento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo de financiamento criado para apoiar a preservação de áreas florestais. A expectativa é de que Reino Unido e Países Baixos anunciem novos aportes ao fundo.
O presidente também deverá discursar em uma reunião de alto nível com chefes de Estado. Na quinta-feira (12/11), a agenda prevê um encontro com representantes da sociedade civil para discutir desenvolvimento sustentável e questões relacionadas à conferência. Além disso, o governo trabalha na organização de reuniões bilaterais.
Segundo o Itamaraty, Lula recebeu pelo menos 15 solicitações de encontros com outros líderes. Entre as possibilidades está uma reunião com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan.

De acordo com o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, o discurso brasileiro terá como foco as medidas adotadas pelo governo e os resultados registrados no último mandato.
Entre os temas que devem aparecer na apresentação estão a redução das emissões de dióxido de carbono, a queda do desmatamento e os mapas do caminho aprovados recentemente para combater a destruição das florestas e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
“Como disse o presidente, a ideia não é levar palpites ou promessas. Na verdade, é mostrar o que tem sido feito no Brasil. O Brasil, nesse aspecto, é um exemplo inquestionável de avanços no combate à mudança no clima”, afirmou Lyrio em conversa com jornalistas nesta sexta-feira (6/11).
Nas Filipinas, Lula busca ampliar mercado para produtos brasileiros
Depois dos compromissos na Turquia, Lula seguirá para as Filipinas. Em Manila, o presidente fará uma visita de Estado e participará da 49ª Cúpula da Asean. Será o segundo ano consecutivo em que o brasileiro participa da reunião do bloco.
A presença nas Filipinas integra a estratégia do governo de ampliar os parceiros comerciais do Brasil. Nesse contexto, o mercado asiático ocupa posição importante na política externa brasileira, especialmente pela possibilidade de aumentar as exportações e atrair investimentos.
A agenda oficial no país começa no sábado (14/11). Lula será recebido pelo presidente filipino, Ferdinand R. Marcos Jr., em uma cerimônia de Estado. Depois, os dois líderes terão reuniões restritas e participarão de um almoço oficial.

Entre os assuntos previstos está a ampliação do comércio bilateral. Segundo a embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Itamaraty, o Brasil tem oportunidades de aumentar a presença de produtos como café, açaí, sucos, alimentos processados, massas e biscoitos no mercado filipino.
Outro ponto da negociação envolve a renovação do certificado de reconhecimento de equivalência do sistema brasileiro de inspeção sanitária. O documento permite o reconhecimento dos procedimentos brasileiros de fiscalização e controle sanitário. A validade atual termina em fevereiro de 2027.
Além das questões comerciais, os governos pretendem aprofundar a cooperação em setores considerados estratégicos. Entre eles estão defesa, semicondutores e agronegócio.
Participação na Asean pode aproximar Brasil do bloco asiático
Durante a passagem pelas Filipinas, Lula também participará de um fórum empresarial que já tem a presença confirmada de 113 empresas brasileiras de diferentes setores. O encontro deverá discutir oportunidades de negócios, investimentos e parcerias entre os dois países.
No domingo (15/11), o presidente participará da Cúpula da Asean, quando deverá discursar aos representantes dos países integrantes do bloco.
O governo brasileiro trabalha para ampliar sua aproximação com a associação. A expectativa é formalizar, no próximo ano, a adesão do Brasil como parceiro de diálogo pleno. Atualmente, essa condição é concedida a países e organizações como Estados Unidos, Japão, Canadá, Coreia do Sul e União Europeia.
Segundo Susan Kleebank, o Brasil estabeleceu 33 áreas prioritárias de cooperação com o bloco. A lista inclui energia renovável, difusão da língua portuguesa, igualdade de gênero e segurança alimentar.
Dessa forma, a viagem reúne compromissos ambientais, diplomáticos e comerciais. Enquanto a passagem pela Turquia concentra as discussões sobre mudanças climáticas e financiamento para preservação das florestas, a etapa nas Filipinas busca ampliar a presença brasileira no mercado asiático e estabelecer novas frentes de cooperação internacional.
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