Espanha terá greve geral por salários e acesso à moradia em 11 de novembro
Mobilização terá apoio das principais centrais sindicais do país e será a primeira em 14 anos a reunir grandes organizações trabalhistas
A Espanha terá uma greve geral no próximo dia 11 de novembro, convocada por organizações sindicais em defesa de salários dignos e do acesso à moradia. A mobilização foi proposta pela Confederação do Sindicato de Inquilinos e recebeu o apoio das principais centrais sindicais do país, entre elas a União Geral de Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias. Em comunicado conjunto, as entidades afirmaram que o movimento busca reivindicar melhores salários para que os trabalhadores possam ter acesso a uma habitação digna.
Greve ocorre antes das eleições
A paralisação será realizada em uma quarta-feira, poucas semanas antes das eleições antecipadas de 29 de novembro. Será a primeira greve geral em 14 anos com a participação das principais centrais sindicais espanholas. A última mobilização desse porte ocorreu em 14 de novembro de 2012, em protesto contra as políticas de austeridade adotadas durante a crise financeira. Nem todas as entidades, porém, aderiram à convocação. A Central Sindical Independente e de Funcionários informou que respeita a mobilização, mas não participará por considerar que o movimento tem motivação política.
Entidades empresariais também criticaram a iniciativa. A Confederação Espanhola de Organizações Empresariais e a Confederação Espanhola de Pequenas e Médias Empresas afirmaram que as reivindicações não são essencialmente trabalhistas e questionaram a transferência dos custos da paralisação para empresas e trabalhadores. Já o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou respeito ao direito de greve. O ministro da Presidência e da Justiça, Félix Bolaños, disse compreender as reivindicações por salários maiores e moradia com preços acessíveis.
Socialistas criticam oposição
A vice-secretária-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), María Jesús Montero, provocou reação ao afirmar que a greve não será contra as medidas do governo, mas contra a oposição, formada pelo Partido Popular (PP) e pelo Vox. O comentário foi feito na terça-feira (6) e aumentou a discussão sobre o caráter político da mobilização, que ocorre às vésperas da campanha eleitoral.
Embaixada dos EUA alerta para impactos da greve
A Embaixada dos Estados Unidos em Madri alertou que a greve poderá afetar transportes, comércio e serviços em toda a Espanha. O comunicado prevê circulação limitada de transporte público, atrasos em viagens, fechamento de estabelecimentos e manifestações com possível aumento da presença policial. A representação diplomática recomendou evitar aglomerações e acompanhar os avisos das autoridades locais.
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