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domingo, 11 de janeiro de 2026

‘Desunião’ da direita e centro-direita empurra Lula mais para a esquerda

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 16 de outubro de 2025
Xadrez 15 10 2025
Takeshi Gondo - Ilustrador

Ninguém fora da ‘bolha’ lulopetista acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai conseguir manter até 4 de outubro de 2026 a popularidade alcançada às custas de benesses do governo. Será muito difícil explicar ao setor produtivo e ao Congresso Nacional que cobrar mais impostos manterá a economia de pé. O prazo de validade dessa popularidade é incerto diante da crescente gastança desenfreada do governo. Mesmo que as narrativas dos “ricos contra pobres” ou que o “Congresso Nacional nunca teve tão baixo nível como agora”, nada disso vai elegê-lo no primeiro turno.

Essas falas de Lula têm maior efeito junto aos seus fiéis aliados no consórcio de esquerda do que na classe média. Ele é mestre em jogar para a plateia cativa para mantê-la mobilizada nas fileiras das narrativas. “Para Lula, neste momento, vale mais prestigiar a ‘companheirada’ do que se fiar no apoio incerto do Centrão. Ele calcula que a rearrumação do governo nessa base de unidade de pensamento e ação fortalecerá a sua popularidade a ponto de reconquistar, futuramente, as ‘madalenas arrependidas’ do centrismo”, diz o consultor em estratégias eleitoral e cientista político Paulo Kramer.

 

Para Kramer, teoricamente, o crescimento da enorme parcela de brasileiros que dependem de programas assistenciais favorece a investida populista de Lula. “A maior fonte de incerteza é o desempenho da economia entre hoje e outubro do ano que vem. Mas essas ‘condições objetivas’ só viram ferramentas favoráveis à oposição se esta fortalecer suas condições ‘subjetivas’ de organização e unidade”, resume Kramer.

 

Rueda, o ‘Judas’ de Caiado

Assim como fez com o antigo amigo Luciano Bivar (União Brasil-PE), o atual vice-presidente do União Progressista, Antônio Rueda, largou na chuva o governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (União Brasil). Em momento algum se esforçou para aplainar o caminho de Caiado junto à centro-direita. Tanto que, na bancada federal da legenda, alguns deputados comentam que “se Caiado tivesse do lado de Bivar, hoje ele seria o candidato a presidente pelo União Brasil”. “Com Rueda no controle do partido, nem o grupo do senador Davi Alcolumbre (AP) quis abraçar a candidatura do goiano”, disse um deputado federal do DF. Para ele, Rueda agiu como “Judas que trocou Caiado por moedas, ou seja, cargos no Governo Federal”.

 

‘Mercadores’ políticos

De acordo com os críticos do presidente Antônio Rueda e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), atual mandachuva do União Progressista, que surgiu com a federação PP-União, eles são “mercadores políticos que buscam defender seus interesses e não dos parlamentares das duas legendas”.

 

Caiado estradeiro

Mesmo tendo pouco apoio de seu partido, o presidenciável Ronaldo Caiado mantém uma extensa agenda nacional. A maioria dos compromissos são em conversas com lideranças de outras legendas e entrevistas na mídia. Caiado diz acreditar que a divisão da direita no primeiro turno favorece a união em apoio ao candidato mais bem pontuado nas pesquisas. “Ele vai continuar sua jornada até à convenção em 2026”, dizem seus auxiliares mais próximos.

 

Daniel no front

Há muito não se via uma romaria de lideranças políticas ao Palácio Pedro Ludovico, onde fica o gabinete do vice-governador Daniel Vilela (MDB). Sinal de que o pré-candidato a governador da aliança de partidos que apoia o governo de Ronaldo Caiado articula apoio para enfrentar os adversários em 2026. A coluna constatou que a maioria são prefeitos de todos os partidos, incluindo os do PL em busca de obras para seus municípios.

 

Wilder municipalista

Por falar em PL, o senador Wilder Morais que, mesmo sem declarar que é pré-candidato a governador, cumpre toda semana agenda municipalista, sempre com uma “boa notícia aos prefeitos, seja com emendas parlamentares ou entrega de máquinas”, conta sua assessoria. Ele mantém a estratégia de só falar em candidatura quando tiver um quadro nacional definido.

 

Eduardo ‘morreu na praia’ – A campanha do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) para enfraquecer Lula junto ao governo de Trump morreu na praia. Veja o que Lula disse: “Quando fui falar com o Trump, não conhecia ele, a gente estava de mal […], amanhã ainda vamos ter uma conversa de negociação”. Zerou o jogo?

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