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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
estresse crônico

Brasil produtivo convive com estresse, insônia e esgotamento

Levantamento nacional revela avanço do esgotamento e da insônia em grandes cidades

Luana Avelarpor Luana Avelar em 31 de dezembro de 2025
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Foto: FreePik

Um levantamento realizado em 2025 pela plataforma Blis Data traçou um retrato detalhado da saúde mental e física de brasileiros que recorrem a terapias alternativas. Com base no maior banco de dados canábicos da América Latina, que reúne informações de mais de 30 mil pacientes distribuídos por 1.900 municípios, o estudo aponta o estresse como a condição clínica mais recorrente no país, revelando um quadro de exaustão que atravessa faixas etárias, regiões e estilos de vida.

No ranking das cidades mais afetadas pelo esgotamento emocional e pela falta de sono, São Paulo aparece na liderança, seguida por Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Os dados indicam que a pressão cotidiana incide com mais força sobre uma população economicamente ativa e inserida no mercado de trabalho, contrariando a ideia de que o adoecimento emocional esteja restrito a contextos de vulnerabilidade social.

Entre os participantes do levantamento, 90% estão empregados, 70% são casados e a maioria declara manter hábitos considerados saudáveis, como a prática regular de atividade física. Ainda assim, os indicadores ligados à saúde mental são expressivos. Cerca de 15 mil pacientes relataram viver em estado de estresse crônico, 40% afirmaram já ter enfrentado crises de pânico e 66% disseram acordar diariamente com sensação de tensão ou sobrecarga emocional.

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Rotinas urbanas intensas e distúrbios do sono aparecem no centro do avanço do esgotamento emocional no país. Foto: iStock

O impacto do esgotamento não se limita à vida adulta em idade produtiva. O banco de dados registra casos em todas as faixas etárias, incluindo idosos, com destaque para a busca por tratamento de insônia. O dado reforça a leitura de que os transtornos relacionados ao sono e ao estresse se consolidaram como problemas estruturais no país, e não episódicos.

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O perfil dos pacientes revela diferenças importantes entre gêneros. Entre os homens, o esgotamento mental aparece como a principal queixa, respondendo por 65% dos casos. Entre as mulheres, a dor crônica supera a insônia e o estresse como motivo de busca por terapias alternativas. O levantamento aponta ainda que mais de 65% das pacientes do sexo feminino são mães, sugerindo a sobreposição entre carga emocional, responsabilidades familiares e pressão cotidiana.

A insônia, responsável por 18% dos atendimentos registrados, atinge seu pico de incidência entre brasileiros de 41 a 43 anos. A média de idade dos pacientes com distúrbios do sono é de 48 anos. Regionalmente, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram mais de 75% dos casos, enquanto o Distrito Federal aparece, proporcionalmente, como a unidade da federação com maior índice de esgotamento emocional.

O levantamento também evidencia sintomas associados ao adoecimento psíquico prolongado. Mais da metade dos entrevistados relatou falhas frequentes de memória, e 43% afirmaram conviver com tristeza quase diária. Os dados reforçam a percepção de que os transtornos emocionais no Brasil contemporâneo não escolhem classe social ou padrão de consumo, manifestando-se com maior intensidade na maturidade, fase marcada por responsabilidades profissionais e familiares acumuladas.

Para parte significativa desse grupo, a busca por terapias alternativas surge após trajetórias longas de tratamentos convencionais, incluindo o uso prolongado de medicamentos alopáticos e abordagens integrativas sem resposta satisfatória. Nesse contexto, a cannabis medicinal passa a ser considerada uma alternativa possível para a recuperação do sono, da funcionalidade diária e da qualidade de vida.

Ao sistematizar milhares de anamneses clínicas, o estudo contribui para qualificar o debate sobre saúde pública e ampliar a compreensão sobre o adoecimento emocional no país. O retrato traçado pelos dados aponta para um cenário em que o esgotamento deixou de ser exceção e passou a integrar a experiência cotidiana de uma parcela expressiva da população brasileira.

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Foto: FreePik

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