Redes sociais: reduzir o uso por sete dias já impacta a saúde mental
Pesquisa aponta queda em ansiedade e depressão entre jovens adultos
Diminuir o tempo gasto em redes sociais por apenas uma semana pode produzir efeitos mensuráveis sobre o bem-estar psicológico de jovens adultos. Essa é a principal conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade Harvard e publicado na revista científica JAMA Network Open, que analisou a relação entre hábitos digitais e saúde mental.
A investigação acompanhou jovens de 18 a 24 anos nos Estados Unidos e cruzou dados objetivos de uso do celular com escalas clínicas amplamente utilizadas para avaliar ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Durante as duas primeiras semanas, os pesquisadores mapearam o padrão de consumo digital dos participantes. Na etapa final, eles puderam reduzir, de forma voluntária, o uso de cinco redes sociais específicas, sem necessidade de se desconectar totalmente do celular.
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Menos redes sociais, menos sintomas
Após sete dias com menor exposição às redes sociais, os participantes apresentaram reduções consistentes nos indicadores de sofrimento psíquico. Os sintomas de ansiedade caíram, em média, 16,1%, enquanto os de depressão recuaram 24,8%. Também houve diminuição de 14,5% nas queixas relacionadas à insônia. A sensação de solidão, porém, permaneceu estável, sugerindo que as redes sociais ainda exercem uma função social relevante para parte dos jovens.
Um aspecto relevante do estudo é que a redução do tempo nas plataformas não levou a uma diminuição do uso geral do smartphone. O tempo médio diário dedicado às redes sociais caiu de quase duas horas para cerca de meia hora, mas foi compensado por outras atividades digitais, indicando uma reorganização do consumo de conteúdo, e não um afastamento das telas.
Impactos desiguais e limites do estudo
Os efeitos da redução das redes sociais variaram conforme o perfil dos participantes. Jovens que já apresentavam sintomas mais intensos de depressão no início da pesquisa relataram ganhos mais expressivos. Em contrapartida, outros mostraram mudanças discretas, reforçando que a influência das plataformas digitais não é uniforme.
Os próprios autores destacam limitações do trabalho, como o curto período de acompanhamento, a adesão voluntária ao experimento e a baixa diversidade da amostra. Ainda assim, os resultados reforçam evidências de que ajustar o uso das redes sociais, sem eliminá-las por completo, pode ser uma medida viável para melhorar a saúde mental de parte da população jovem, especialmente em um contexto de uso intensivo e cotidiano dessas plataformas.
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