Fim de ano: número de mortos mais que dobra nas rodovias federais de Goiás
Balanço da PRF aponta aumento expressivo no número de mortes durante o feriado, acendendo alerta sobre imprudência e violência no trânsito
O balanço da Operação Rodovida – Ano Novo 2025/2026, divulgado nesta segunda-feira (5) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revelou um cenário preocupante nas rodovias federais que cortam o estado de Goiás. Entre os dias 30 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, foram registrados 37 sinistros de trânsito, que deixaram 31 pessoas feridas e seis mortes.
O número de óbitos mais que dobrou em relação ao mesmo período anterior, quando a PRF havia registrado duas mortes, apesar de um número maior de acidentes e feridos. Em 2024, foram 34 sinistros e 46 pessoas feridas, o que evidencia uma redução nos acidentes graves, mas um aumento na letalidade das ocorrências em 2025/2026.
Durante o feriado prolongado, a PRF intensificou o policiamento nas estradas, com ações voltadas principalmente para a prevenção de comportamentos de risco, como excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e consumo de álcool antes de dirigir. Ao todo, 1.352 infrações de trânsito foram flagradas pelas equipes que atuaram nas rodovias em Goiás.
Álcool e imprudência seguem como vilões
Um dos focos centrais da operação foi o combate à embriaguez ao volante. A PRF manteve a política de tolerância zero para a combinação de álcool e direção, o que resultou em 27 autuações durante o período. Além disso, uma prisão foi registrada após um teste do etilômetro indicar 1,10 mg/L de álcool, valor quase três vezes superior ao limite que caracteriza crime de trânsito.
Confira o vídeo:
O caso aconteceu neste domingo (4), na BR-070, em Jussara (GO), envolvendo um motociclista de 54 anos, que além de dirigir alcoolizado, estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida. A ocorrência reforça um padrão recorrente observado nas fiscalizações: a combinação de múltiplas infrações que potencializam o risco de acidentes graves nas rodovias.
Além do álcool, a imprudência nas manobras foi outro fator de destaque. A PRF registrou 239 autuações por ultrapassagens proibidas, prática frequentemente associada a colisões frontais e acidentes fatais. Também foram lavradas 73 infrações pelo não uso de dispositivos de retenção, como cinto de segurança e cadeirinhas infantis, equipamentos fundamentais para reduzir a gravidade de ferimentos em caso de colisão.
Acidentes fatais nas rodovias marcaram o feriado
Entre os sinistros com morte, o mais grave foi registrado na terça-feira (30/12), na BR-050, em Campo Alegre de Goiás. Na ocasião, quatro pessoas da mesma família morreram após o veículo em que estavam colidir contra uma defensa de concreto e cair em uma ribanceira às margens do ribeirão Paineiras. As vítimas foram um homem de 41 anos, uma mulher de 37 anos e duas crianças, de 14 e 9 anos, o que causou forte comoção em todo o Estado.
Outros dois acidentes com mortes também foram registrados durante a operação nas rododvias. Na BR-070, ainda no dia 30 de dezembro, uma colisão entre uma motocicleta e um automóvel resultou na morte de uma jovem de 17 anos. Já na BR-060, em Rio Verde, no dia 31 de dezembro, um motociclista de 42 anos morreu após colidir na traseira de um caminhão.
Números de 2025 reforçam alerta
O balanço anual da PRF reforça a gravidade do cenário. Ao longo de 2025, foram contabilizadas 223 mortes nas rodovias federais em Goiás, número 12% maior do que o registrado em 2024, quando houve 198 óbitos.
Segundo a PRF, fatores como excesso de velocidade, consumo de álcool, desatenção e desrespeito às normas básicas de trânsito continuam sendo determinantes para a maioria das ocorrências graves.
A corporação informou que seguirá intensificando as ações de fiscalização e educação para o trânsito, com foco na preservação de vidas. A Operação Rodovida continua em andamento até o Carnaval, período historicamente marcado por aumento no fluxo de veículos e maior risco de acidentes, exigindo atenção redobrada dos motoristas que utilizam as rodovias federais.
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