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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
RECUO DIPLOMÁTICO

Trump e Petro retomam diálogo após dias de escalada verbal

Telefonema entre os líderes marcou recuo no discurso após ameaças e troca de acusações entre Washington e Bogotá

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 8 de janeiro de 2026
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Foto: Reprodução/ @petrogustavo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, conversaram por telefone na noite de quarta-feira (7), em um movimento que marcou a redução do tom após dias de confrontos públicos entre os dois governos. Segundo Trump, o diálogo abordou a “situação das drogas” e as divergências acumuladas entre ambos. O norte-americano afirmou ainda que há expectativa de um encontro presencial e que já estão em andamento tratativas para uma reunião na Casa Branca.

Petro divulgou nas redes sociais uma imagem do momento da ligação, acompanhada da legenda: “Aqui falando com o presidente Trump”. De acordo com o colombiano, essa foi a primeira conversa direta entre os dois desde o retorno de Trump à Casa Branca e durou cerca de uma hora. Em discurso a apoiadores, ele afirmou que o contato permitiu restabelecer a comunicação entre os governos, inclusive entre os ministérios das Relações Exteriores e as presidências.

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Foto: Reprodução/ @petrogustavo

Petro retalha declarações de Trump e afirma “cérebro cenil”

A conversa ocorreu após uma escalada de declarações iniciada no domingo (4), quando Trump afirmou que uma eventual operação militar contra a Colômbia “soava bem”. Petro reagiu classificando o presidente norte-americano como alguém de “cérebro senil” e atribuiu a essa condição as acusações de que teria ligação com o narcotráfico. Em uma publicação, o colombiano afirmou que Trump costuma rotular líderes como “narco-terroristas” quando eles se opõem a interesses econômicos dos Estados Unidos, como a exploração de carvão e petróleo.

“O rótulo que Trump me dá, de foragido do narcotráfico, é um reflexo de seu cérebro senil. Ele vê os verdadeiros libertários como narcoterroristas porque não entregamos nem o carvão nem o petróleo”, disse Petro. O presidente colombiano também criticou a operação americana que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e acusou os EUA de promover ataques contra embarcações que, segundo Washington, transportavam drogas.

Trump elogia diálogo com Petro

Trump, que nos dias anteriores havia endurecido o discurso ao afirmar que a Colômbia é governada por “um homem doente”, adotou um tom mais conciliador após o telefonema. Nas redes sociais, declarou que “apreciou” a conversa e formalizou o convite para que Petro visite Washington.

As declarações contrastam com a postura recente do presidente norte-americano, que em outubro de 2025 já havia imposto sanções ao líder colombiano e, no último domingo, afirmou a bordo do Air Force One que o país é “governado por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA — e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Questionado à época sobre a possibilidade de uma ação militar, Trump respondeu: “Soa bem para mim”.

Ministro colombiano fala em “ações conjuntas”

Ainda, na quinta-feira (8), o ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, afirmou que os dois presidentes concordaram em adotar “ações conjuntas” contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo armado que atua na fronteira com a Venezuela.

Segundo Benedetti, Petro solicitou apoio para intensificar o combate ao ELN na região fronteiriça. O ministro afirmou que, após confrontos com forças colombianas, integrantes da guerrilha costumam se deslocar para o território venezuelano. Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira de cerca de 2.200 quilômetros, marcada pela presença de grupos armados envolvidos com o narcotráfico, a mineração ilegal e o contrabando.

As negociações de paz entre o governo colombiano e o ELN permanecem suspensas após uma ofensiva do grupo na região de Catatumbo, há um ano, que resultou em centenas de mortes e no deslocamento de dezenas de milhares de pessoas.

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