Casal de reality teve patrimônio questionado em inquérito por contrabando
Relatórios da PF analisaram evolução patrimonial, logística de bebidas e suspeitas de sonegação em empresa transferida para Goiânia
A exibição de uma vida marcada por consumo de luxo no reality Poderosas do Cerrado esconde um histórico de investigação por contrabando que envolve a empresária Thaily Semensato e o marido, Laion Yanagu. Donos da Casa da Bebida, empresa que se apresenta como a maior loja virtual de destilados do Brasil, os dois foram alvos de um inquérito da Polícia Federal que apurou suspeitas de contrabando de bebidas alcoólicas vindas do Paraguai e crimes fiscais associados à atividade.
A investigação teve início em 2020, no Paraná, e reuniu mais de 3 mil páginas de documentos, incluindo mensagens obtidas em celulares apreendidos. Segundo a Polícia Federal, havia indícios de comercialização de produtos sem nota fiscal, subfaturamento de vendas e logística voltada a reduzir a fiscalização, práticas comumente associadas ao contrabando de mercadorias estrangeiras.
Investigação por contrabando e evolução patrimonial
Relatórios da Receita Federal apontam que, entre 2016 e 2019, bebidas ligadas ao casal foram apreendidas ao menos oito vezes em estados do Sul e Sudeste, algumas em rotas próximas à fronteira com o Paraguai. Em uma das ocorrências, a fiscalização encontrou mapas com caminhos alternativos para desvio de postos de controle, o que reforçou a suspeita de contrabando organizado.
A Polícia Federal também destacou uma rápida evolução patrimonial do casal entre 2018 e 2022, considerada incompatível, em tese, com a atividade declarada. Entre os bens identificados estavam apartamentos em áreas nobres, veículos de luxo e motos aquáticas. Para os investigadores, a sonegação de tributos associada ao contrabando poderia explicar o crescimento financeiro.
Mensagens analisadas pela PF indicam que clientes reclamaram da ausência de documentação de importação e de possíveis irregularidades na procedência das bebidas. Laion Yanagu chegou a relatar que apreensões ocasionais faziam parte da operação, mas não comprometeriam o negócio, em referência direta aos riscos do contrabando.
Apesar dos indícios apontados pelo Ministério Público Federal da 4ª Região, o inquérito foi arquivado em setembro de 2025, poucos dias após ser remetido ao MPF de Goiás, em razão da mudança da sede da empresa. A decisão considerou insuficientes as provas para sustentar a persecução penal naquele momento, embora tenha ressaltado que investigações sobre contrabando podem ser reabertas caso surjam novos elementos.
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