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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Avança dependência das exportações da indústria a produtos agropecuários

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 13 de janeiro de 2026
exportações
Foto: Divulgação

As políticas de incentivo à diversificação e à agregação de valor às vendas externas realizadas pelo setor industrial aparentemente não conseguiram avançar conforme esperado, diante do aumento da dependência da pauta de exportações do setor a produtos de base agropecuária e baixo conteúdo tecnológico.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações da indústria goiana de transformação reduziram sua participação no total exportado por Goiás de 54,54% em 2018 para 47,48% no ano passado, com as vendas externas do setor crescendo num ritmo inferior àquele observado para as exportações totais.

Mais do que isto, uma parcela muito generosa daquele avanço deveu-se ao incremento vigoroso das exportações de produtos de base agropecuária, com destaque para as carnes bovina e de aves e para o açúcar — a despeito do revés sofrido pelo setor açucareiro na passagem de 2024 para 2025 por conta do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e da tendência de queda dos preços no mercado internacional no ano passado.

As estatísticas sugerem, portanto, a necessidade de uma revisão das políticas de atração de investimentos adotadas pelo governo estadual, que têm demonstrado baixa eficácia quando se considera o objetivo mais amplo de agregar valor e complexidade à indústria instalada em Goiás.

No ano passado, conforme já registrado neste espaço (O Hoje, 08.01.2026), as exportações goianas superaram ligeiramente a marca dos US$ 13,413 bilhões, no terceiro melhor resultado da série histórica, o que significou um aumento de 78,27% em relação a 2018, quando as empresas em operação no Estado haviam exportado perto de US$ 7,524 bilhões.

No mesmo intervalo, considerando todos os setores da economia estadual, houve um ganho de receitas de US$ 5,889 bilhões. A indústria de transformação não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo, alcançando um crescimento de 55,21% no mesmo período.

As vendas externas do setor saíram de US$ 4,103 bilhões para US$ 6,369 bilhões, no segundo melhor resultado da série, trazendo um ganho de US$ 2,265 bilhões.

Maior peso

Como já anotado, o desempenho relativamente menos favorável da indústria de transformação fez sua fatia nas exportações totais encolher 7,06 pontos percentuais.

O setor contribuiu ainda com 38,47% para o aumento geral das vendas externas estaduais, enquanto os embarques de produtos tipicamente da agropecuária deram uma contribuição de 61,12%, sob liderança da soja, do milho e do café.

A agropecuária, que havia respondido por 38,40% das exportações goianas em 2018, entrando com US$ 2,889 bilhões, elevou sua participação para 47,93% no ano passado, com as vendas externas do setor saltando 124,57%, para algo em torno de US$ 6,428 bilhões.

O setor ganhou 9,53 pontos percentuais, ocupando espaço da indústria de transformação e do setor extrativo mineral.

Balanço

A indústria não perdeu apenas participação percentual na pauta exportadora, mas também registrou uma mudança relevante no perfil dos bens e mercadorias exportados, com aqueles de base agropecuária assumindo maior parcela do total vendido lá fora pelo setor.

Pode-se argumentar que, de fato, teria ocorrido certo nível de agregação de valor à pauta, já que mesmo produtos originados pela agropecuária passaram por algum tipo de processamento, ainda que residual. Na verdade, o argumento parece não se sustentar de fato, considerando que as exportações de soja, milho e café em grão tiveram sua representatividade na pauta total elevada de 37,31% em 2018 para 46,72%.

As exportações de soja em grão dobraram, subindo de US$ 2,481 bilhões para pouco menos de US$ 5,169 bilhões, em alta de 108,31%, variando US$ 2,687 bilhões — o que explicou quase 75% do aumento das exportações da agropecuária.

O milho teve suas vendas externas triplicadas, passando de US$ 325,937 milhões para US$ 992,317 milhões, em torno de US$ 666,380 milhões a mais, num salto de 204,45%.

Em 2018, o Estado havia exportado apenas US$ 316,114 mil de café em grão, valor que escalou para US$ 105,561 milhões no ano passado.

Somados, aqueles três produtos foram responsáveis por 96,10% do aumento das vendas externas da agropecuária.

Certamente, uma parte do milho e da soja, transformados em ração, passou a ser exportada sob a forma de carne bovina e de aves, mas os avanços observados não produziram diversificação substancial.

Na verdade, houve mesmo um aumento da concentração dos embarques em favor de produtos primários, considerando que a agropecuária passou a responder por quase 48% das exportações totais.

Dentro da indústria de transformação, na mesma linha, a principal contribuição veio de produtos originados pela agricultura e pela pecuária, que responderam por 85,72% do crescimento das vendas externas totais do setor.

As exportações de produtos industriais de base agropecuária aumentaram de US$ 2,900 bilhões — algo como 70,68% da pauta do setor industrial em 2018 — para US$ 4,842 bilhões no ano passado, numa alta de 66,95% no período, elevando a participação para 76,03%.

Apenas nesta área registrou-se um ganho de praticamente US$ 1,942 bilhão.

Os demais setores da indústria, incluindo fabricantes de máquinas, equipamentos, peças, acessórios, produtos químicos e outros com maior conteúdo tecnológico, tiveram sua participação reduzida de 29,32% para 23,97%.

As exportações nesses segmentos variaram 26,90% entre 2018 e 2025, passando de US$ 1,203 bilhão para quase US$ 1,527 bilhão, num acréscimo de US$ 323,581 milhões — algo como 14,28% dos valores adicionados ao saldo total no período analisado.

Na conta da indústria de transformação, a contribuição mais relevante veio de três grupos de produtos: carne bovina, carne de aves e açúcar.

Na soma desses itens, as exportações cresceram 118,87% desde 2018, subindo de US$ 1,501 bilhão para US$ 3,285 bilhões, um acréscimo de cerca de US$ 1,784 bilhão.

Os três grupos elevaram sua participação na pauta de exportações da indústria de 36,58% para 51,58% e contribuíram com 78,75% do aumento total das vendas externas de toda a indústria.

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