Estudo americano prevê fim do mundo em 2026; entenda a polêmica
Fim do mundo em 2026? Entenda a pesquisa citada nas redes
Mensagens que circulam nas redes sociais voltaram a chamar atenção ao afirmar que uma suposta pesquisa científica realizada nos Estados Unidos teria previsto o fim do mundo ainda em 2026. As publicações, no entanto, não têm base científica. Especialistas ouvidos por agências de checagem e instituições acadêmicas afirmam que não existe qualquer estudo reconhecido que estabeleça uma data para o fim da humanidade ou do planeta.
As alegações reapareceram em forma de textos alarmistas, vídeos e montagens que simulam reportagens jornalísticas. Em comum, todas citam de maneira genérica uma “pesquisa americana” sem indicar autores, universidades ou revistas científicas responsáveis pela suposta descoberta. Além disso, nenhuma dessas publicações apresenta dados verificáveis ou metodologia científica.

Origem da interpretação distorcida
Grande parte dessas informações falsas se baseia em uma interpretação equivocada de um estudo matemático publicado na revista Science em 1960. À época, pesquisadores analisaram padrões de crescimento populacional e desenvolvimento tecnológico por meio de equações matemáticas. Um dos modelos indicava um ponto teórico de instabilidade em novembro de 2026.
Especialistas explicam, no entanto, que esse chamado “ponto singular” não representa uma previsão de colapso global. Trata-se apenas de um limite matemático da fórmula utilizada. O próprio estudo jamais mencionou destruição do planeta, extinção humana ou qualquer cenário apocalíptico. Com o avanço da ciência, esses modelos foram superados por análises mais complexas e atualizadas.

O que a ciência realmente monitora
Pesquisadores da área de riscos globais ressaltam que ameaças à civilização são estudadas de forma contínua. Entre elas estão as mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados de grande escala, acidentes nucleares e impactos de asteroides. Ainda assim, não existe consenso científico que aponte qualquer uma dessas ameaças como responsável pelo fim do mundo em 2026.
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Agências espaciais, universidades e centros de pesquisa utilizam esses estudos para planejamento, prevenção e formulação de políticas públicas. O objetivo é reduzir riscos e aumentar a capacidade de resposta da humanidade, e não estabelecer datas para o fim do planeta. Cientistas reforçam que previsões com data marcada não fazem parte do método científico.
A disseminação de boatos sobre o fim do mundo não é novidade. Ao longo da história, previsões religiosas, erros de interpretação matemática e leituras distorcidas de estudos científicos já anunciaram diversos “fins do mundo” que nunca se concretizaram. Especialistas alertam que a checagem de fontes e a busca por informações em instituições reconhecidas são fundamentais para evitar a propagação de desinformação.