Damares afirma que grandes igrejas e pastores estão envolvidos nas fraudes do INSS
Senadora relata pressão política e religiosa para barrar apurações
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS tem identificado a participação de grandes igrejas e de líderes religiosos em esquemas de fraudes contra aposentados e pensionistas. Segundo a parlamentar, as descobertas passaram a gerar pressões políticas e religiosas para frear o avanço das investigações conduzidas pelo colegiado no Congresso Nacional.
As declarações foram feitas em entrevista ao SBT News. De acordo com Damares, a comissão passou a enfrentar tentativas recorrentes de obstrução após a inclusão de nomes ligados a lideranças religiosas influentes no escopo das apurações. Segundo ela, há pedidos diretos para que determinados casos não sejam aprofundados, sob o argumento de evitar frustração entre fiéis.

A senadora relatou que a atuação de pastores e igrejas aparece como parte da engrenagem utilizada para aplicar golpes financeiros. Conforme a investigação, instituições religiosas teriam sido usadas como canais de aproximação com aposentados e pensionistas, que acabavam sendo induzidos a autorizar descontos indevidos ou a contratar empréstimos consignados sem pleno conhecimento das condições.
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Pressões e tentativa de obstrução
Segundo Damares Alves, o surgimento de nomes ligados a grandes igrejas provocou reações organizadas para limitar o alcance da CPMI. De acordo com a parlamentar, representantes religiosos, instituições financeiras e atores políticos de diferentes correntes estariam atuando para reduzir o impacto das investigações e evitar o aprofundamento das apurações.

A senadora afirmou que, sempre que um líder religioso de grande visibilidade é citado, surgem manifestações para que o tema não avance. Ainda segundo ela, o argumento recorrente é o de que a investigação poderia causar decepção ou abalo emocional em comunidades religiosas inteiras.
Uso de igrejas na captação de vítimas
As apurações indicam que templos e igrejas teriam sido utilizados como espaços de captação de aposentados e pensionistas. Segundo relatos colhidos pela CPMI, fiéis eram abordados nesses ambientes ou orientados por pessoas de confiança ligadas às lideranças religiosas. A partir disso, acabavam aderindo a contratos que resultavam em descontos irregulares nos benefícios do INSS.

Além dos descontos indevidos, a comissão investiga a contratação de empréstimos consignados sem o consentimento claro das vítimas. De acordo com a senadora, muitos aposentados afirmam não reconhecer os contratos firmados em seus nomes, o que amplia o alcance do esquema investigado.
Damares destacou que as irregularidades não se restringem a uma única instituição financeira. Segundo ela, o esquema envolve diversos bancos e entidades, o que reforça a dimensão do caso apurado pela CPMI.
Diante da complexidade das descobertas, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), propôs a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias. O objetivo é aprofundar a análise dos dados reunidos e consolidar as informações antes da apresentação do relatório preliminar, prevista para fevereiro.