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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Alta nas buscas

Congelamento de óvulos cresce entre mulheres mais jovens

Alta nas buscas e nos procedimentos reflete mudança no modo como brasileiras planejam maternidade

Luana Avelarpor Luana Avelar em 13 de janeiro de 2026
congelamento de óvulos
Foto: Louis Reed Unsplash

Durante muito tempo, a fertilidade feminina esteve associada a um prazo implícito, raramente discutido fora do ambiente médico. Nos últimos anos, essa relação começou a mudar. O congelamento de óvulos, antes visto como exceção ou medida emergencial, passou a integrar o planejamento de vida de mulheres que buscam conciliar maternidade, carreira e autonomia reprodutiva.

O movimento aparece de forma clara no ambiente digital. Dados do Google Trends indicam crescimento consistente, nos últimos anos, das buscas pelos termos “congelar óvulos” e “congelamento de óvulos”, com picos recorrentes ao longo do ano, especialmente no mês de fevereiro. O padrão sugere que o interesse pelo tema deixou de ser episódico e passou a fazer parte de uma reflexão contínua sobre o futuro.

“O congelamento de óvulos passou a ser entendido como uma ferramenta de planejamento, e não mais como uma decisão de última hora. As mulheres querem previsibilidade e liberdade para decidir quando será o momento certo”, afirma Claudia Padilla, especialista em medicina reprodutiva.

A mudança de comportamento também se reflete nos dados oficiais. Informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária mostram que o número de ciclos de congelamento de óvulos aumentou 98% entre 2020 e 2023 no Brasil, com crescimento expressivo entre mulheres com menos de 35 anos. O recorte etário indica que o procedimento vem sendo buscado de forma cada vez mais preventiva, como parte de um planejamento antecipado, e não apenas como resposta a dificuldades reprodutivas.

Nos últimos anos, essa transformação ganhou maior visibilidade a partir do relato de mulheres públicas que decidiram falar abertamente sobre o tema. Paolla Oliveira, Tata Werneck, Carla Diaz, Mariana Ximenes, Nanda Costa, Nicole Bahls e Mariana Goldfarb compartilharam suas experiências com o congelamento de óvulos, contribuindo para normalizar o debate sobre fertilidade e planejamento familiar. Mais recentemente, a atriz Monique Alfradique também revelou ter optado pelo procedimento como parte do desejo de ser mãe no futuro.

A exposição desses relatos ajuda a deslocar o congelamento de óvulos do campo do tabu para o debate público. Ao ser apresentado como uma escolha possível, e não como exceção, o procedimento passa a ser entendido como uma ferramenta de organização da vida reprodutiva em um contexto marcado por mudanças no mercado de trabalho, nas relações afetivas e nas expectativas sociais sobre a maternidade.

Segundo Claudia Padilla, o aumento nas buscas não significa, necessariamente, uma decisão imediata pelo procedimento. Em muitos casos, trata-se de um primeiro passo para compreender como a fertilidade feminina funciona ao longo do tempo. “Em 2026, o planejamento reprodutivo está muito mais associado ao conhecimento do próprio corpo do que à pressa. Quando a mulher entende como a fertilidade evolui, ela ganha autonomia para fazer escolhas alinhadas ao seu projeto de vida”, afirma.

A idade segue como um dos fatores centrais dessa discussão. A mulher nasce com o número de óvulos que utilizará ao longo da vida, sem reposição ao longo do tempo. A partir dos 35 anos, a perda da chamada reserva ovariana se intensifica, reduzindo as chances de gravidez e aumentando o risco de alterações genéticas. A mulher que engravida aos 34 anos tem um risco de um para 600 de ter um bebê com síndrome de Down. Aos 40, o risco é de um para 100. O congelamento faz com que ela pare esse processo de envelhecimento.

O avanço das tecnologias em reprodução assistida também contribui para esse cenário. Protocolos mais seguros, tratamentos individualizados e a incorporação de recursos tecnológicos nos laboratórios ampliaram a confiança nos procedimentos e facilitaram o acesso à informação qualificada. Ao mesmo tempo, a presença mais frequente do tema na mídia e em debates públicos ampliou a circulação de informações sobre fertilidade feminina e planejamento reprodutivo.

Nesse contexto, o congelamento de óvulos não é apresentado como garantia de maternidade futura, mas como uma estratégia para ampliar possibilidades. Especialistas ressaltam que o procedimento não substitui o acompanhamento médico regular nem elimina todos os riscos, mas oferece maior margem de decisão diante das transformações sociais e individuais que marcam a vida das mulheres contemporâneas.

A expectativa é que, nos próximos anos, o planejamento reprodutivo esteja cada vez mais integrado à rotina de cuidados com a saúde da mulher, ao lado de exames preventivos e do acompanhamento ginecológico. “Planejar a fertilidade não significa adiar sonhos, mas criar possibilidades. É uma forma de cuidado com o futuro e com a liberdade de escolha”, conclui Padilla.

Congelamento de óvulos
Foto: Divulgação/Grupo Fêmina

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