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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Tensões globais

Sobretaxas dos EUA ao Irã ligam alerta no setor do agro em Goiás

Goiás é o terceiro maior produtor de milho do Brasil e pode sentir impactos diretos com restrições indiretas ao comércio com um dos principais compradores do grão

João Césarpor João César em 14 de janeiro de 2026
Goiás
Irã importa quase 25% do milho brasileiro - Foto: Divulgação/Porto de Santos

Na última segunda-feira (12), o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou que pretende impor sobretaxas aos países que mantêm relações comerciais com o Irã. Pela sinalização do governo norte-americano, nações que realizarem exportações para o país do Oriente Médio poderão ser penalizadas com tarifas adicionais ao negociar com os EUA, medida que amplia o risco de tensões comerciais em escala global.

A iniciativa faz parte de uma estratégia de pressão sobre o governo iraniano, em meio a uma crise política e social que se intensificou desde dezembro do ano passado. Desde então, milhares de pessoas têm ido às ruas em diferentes cidades do Irã para protestar contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. As manifestações têm sido reprimidas pelas forças de segurança, resultando em um cenário de instabilidade interna e crescente isolamento internacional do país.

Os Estados Unidos já interferiu em outras questões do Irã. Em 2024, o governo americano realizou um ataque ao país, após conflitos entre Israel e Irã. Agora, analisa a possibilidade de conter o programa nuclear iraniano.

Os protestos pelo país árabe já deixaram mais de 600 mortos e mais de 10 mil pessoas foram até a última segunda-feira. O governo também cortou a internet do Irã.

Caso as sobretaxas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos sejam efetivamente implementadas, o agronegócio brasileiro tende a ser um dos setores mais afetados. O Irã é um dos principais destinos das exportações brasileiras de grãos, especialmente milho e soja, segundo dados do Comexstat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A imposição de barreiras indiretas pode dificultar ou encarecer essas operações, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros.

Em 2025, a balança comercial entre o Brasil e o Irã apresentou superávit positivo para o Brasil de cerca de US$ 2,8 bilhões, exportando um pouco mais de US$ 2,9 bilhões e importando algo em torno de US$ 84,6 milhões. Os iranianos, são os principais importadores do milho brasileiro, com 23% do produto sendo direcionado para eles, segundo o Comexstat.

Impacto em Goiás


Atualmente, o Estado de Goiás ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores produtores de milho do Brasil, com uma produção no valor de R$ 9.833.823, em 2024, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com essas taxações, Goiás e o Brasil perdem um importante parceiro comercial do agronegócio.

A gerente de Inteligência de Mercado da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Christiane Amorim, explica que o Irã é o terceiro principal parceiro comercial do Estado, correspondendo a 3,5% de participação nas exportações totais do agronegócio. Também sendo o maior comprador do milho de Goiás, com 29,4% de participação nas exportações do setor em 2025.

Além do impacto na exportação, os produtores podem sentir impactos na importação de adubos e fertilizantes. Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 66 milhões de produtos desse grupo, porém o Irã não é o maior exportador de adubos e fertilizantes. 

 

Rússia, China e Canadá ocupam o topo do ranking, respectivamente, com um total de mais de US$ 8 bilhões de importações para o Brasil. Outros produtos importados pelo Brasil do país no Golfo Pérsico são uvas secas, nozes, frutas e pistaches. 

Nas relações entre Goiás e os EUA, Amorim informa que os principais setores afetados seriam o comércio de carne bovina, complexo sucroalcooleiro, couro bovino e café. Por isso, em sua visão, é preciso ter cautela nas negociações das taxas e neste momento de instabilidade.

Christiane relata também que a saída para caso essas taxações sejam realizadas será a diversificação dos mercados. “A carne bovina, por exemplo, poderia ser destinada ao México, Chile e Rússia, Países que elevaram o volume de aquisições de Goiás em 2025”, finaliza.

 

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