Indústria devolve em novembro quase todo ganho alcançado no mês anterior
A indústria goiana devolveu em novembro do ano passado praticamente 89% do ganho de 7,2% registrado apenas um mês antes. A produção despencou 6,4% em relação a outubro, na série de dados ajustados sazonalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tombo interrompeu uma sequência de quatro meses consecutivos de alta, período em que o setor havia acumulado ganho de 11,3%. Na média nacional, a indústria enfrentou virtual estagnação em novembro, com crescimento nulo.
O resultado em Goiás veio acompanhado de forte desaceleração no ritmo de crescimento observado na comparação interanual. Em outubro, mês tradicionalmente marcado pela produção voltada ao abastecimento do mercado de fim de ano, a indústria estadual havia registrado salto de 10,8% frente ao mesmo mês de 2024. Já em novembro, embora os dados tenham permanecido positivos e acima da média brasileira, o avanço foi bem mais modesto, com variação de 2,6% na comparação com igual mês do ano anterior, no oitavo mês consecutivo de alta.
No restante do País, a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostrou queda de 1,2% em novembro frente a igual mês de 2024, após recuo de 0,5% em outubro. O desempenho negativo foi influenciado principalmente pela retração da produção em São Paulo, que caiu 4,7%, além de Paraná e Santa Catarina, com recuos de 2,2% e 1,4%, respectivamente.
Em volume, a produção da indústria goiana acumulou elevação de 2,7% nos primeiros 11 meses de 2025 em relação a igual intervalo de 2024, enquanto a média nacional registrou crescimento de apenas 0,6%. Entre as regiões investigadas pelo IBGE, Goiás apresentou o terceiro melhor desempenho no período, atrás apenas de Santa Catarina e do Espírito Santo, que cresceram 3,4% e 10,8%, respectivamente.
Alimentos e biocombustíveis
Como é sabido, o IBGE não divulga dados dessazonalizados por setor para as indústrias regionais, o que limita uma avaliação mais precisa do desempenho mensal. Ainda assim, a comparação entre novembro de 2025 e o mesmo mês de 2024 indica que todo o crescimento observado no período foi explicado pelas indústrias de alimentos e de biocombustíveis. Mesmo nesses segmentos, porém, as taxas apontam clara desaceleração em relação aos resultados de outubro. Excluídos esses dois setores, a produção do restante da indústria estadual recuou 0,3%.
Balanço
No setor de alimentos, os volumes produzidos cresceram 3,7% em novembro, no oitavo mês consecutivo de alta, sequência iniciada em abril do ano passado. O resultado, contudo, ficou bem abaixo do salto de 12,6% registrado em outubro. As maiores influências positivas vieram da produção de maionese, carne bovina fresca e refrigerada, açúcar em estado bruto e farelo de soja, enquanto a produção de açúcar cristal apresentou redução. No acumulado de 11 meses, o setor avançou 2,6% em relação a igual período do ano anterior.
A indústria de refino, derivados de petróleo e biocombustíveis alcançou o quarto mês consecutivo de crescimento, com alta de 11,5% em novembro, impulsionada principalmente pela maior produção de etanol. O ritmo, porém, foi bem inferior ao observado em outubro, quando o setor havia avançado 31,1% frente ao mesmo mês de 2024. Apesar da reação recente, o segmento acumulou crescimento modesto de 1,7% nos 11 meses iniciais de 2025, refletindo resultados fracos ou negativos no primeiro semestre e ainda em julho e agosto.
A indústria de vestuário, que vinha se recuperando após desempenho muito fraco em 2023 e parte de 2024, voltou a tropeçar em novembro, com queda de 7,9%. O resultado encerrou uma sequência de seis meses de alta, que havia incluído avanços expressivos em junho e setembro, quando a produção saltou 49,3% e 30,3%, respectivamente.
Em trajetória de retração iniciada em outubro do ano passado, a indústria de minerais não metálicos teve queda de 33,5% em novembro frente ao mesmo mês de 2024 e acumula recuo de 15,8% na comparação entre os 11 meses iniciais de 2025 e igual período do ano anterior. Entraram em baixa a produção de cimento, estruturas pré-fabricadas de concreto, asfalto, misturas betuminosas e massa de concreto, refletindo menor investimento em infraestrutura de transporte e esfriamento da construção civil.
A produção de medicamentos e farmoquímicos recuou 1,8% em novembro, após altas de 0,6% e 3,7% em setembro e outubro, passando a acumular crescimento discreto de 1,1% em 11 meses. Já a fabricação de máquinas e equipamentos cresceu 27,5% no período, impulsionada principalmente pelo salto de 155,9% registrado em maio, apesar da queda de 2,6% em novembro. O desempenho foi sustentado pela maior produção de pulverizadores e máquinas de colheita, sob liderança da agropecuária.
A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias avançou 10,4% nos primeiros 11 meses do ano, após sequência de altas iniciada em junho, mas em ritmo decrescente. Depois de crescimentos de 39,6% e 24,7% em julho e agosto, o setor passou a avançar 18,5% em setembro, 10,1% em outubro e 5,7% em novembro, com destaque para a fabricação de automóveis e de chassis com motor.